CERTIFICAÇÃO DE MADEIRAS PARA USO INDUSTRIAL

Ao longo da história, o homem sempre procurou produzir coisas para facilitar, desde as actividades mais primárias, até as necessidades criadas pela complexa e moderna sociedade global.
Tal crescimento e diversificação acabou por desencadear uma destruição sem precedentes na biodiversidade do planeta, pois a demanda por matéria-prima é muito maior do que a capacidade de regeneração dos ecossistemas.
Dentro deste quadro, a mais evidente devastação é a de florestas nativas em busca de madeira para a produção de estruturas, papel, carvão e móveis, entre outros.
No intuito de amenizar e reverter este cenário, surgiram nas últimas décadas órgãos e empresas que visam o controle da utilização da madeira oriunda de florestas tropicais nativas e mesmo das plantadas.


Florestas nativas e florestas plantadasFlorestas nativas
São exploradas para atender ao mercado de madeiras de duas formas:
• Pelo meio de manejo florestal: através da exploração planeada e controlada da mata nativa.
• Pelo meio de exploração extractivista: explorando comercialmente apenas as espécies com
valor de mercado, sem projetos de manejo.

Florestas plantadas
Destinam-se à produção de matéria-prima para as indústrias de madeira serrada, painéis à base
de madeira, cuja implantação, manutenção e exploração seguem projetos previamente aprovados pelos entidades correspondentes.
Na indústria, tem crescido muito, nos últimos anos, a adopção de madeiras nativas ou de reflorestamento, fomentada pela valorização do selo verde junto aos consumidores finais.

É no emprego de madeiras de reflorestamento que se concentram actualmente as atenções das indústrias, designers e construtores. Entre as mais exploradas estão o Eucalipto e o Pinus.


A madeira de Eucalyptus grandis é uma das mais promissoras pelos seguintes motivos:
• já possui a maior área plantada no país;
• é uma espécie por demais conhecida, difundida e pesquisada;
• já apresenta uma disponibilidade imediata de florestas em idade de corte;
• é uma madeira leve, de boa resistência mecânica, capaz de receber os mais variados tipos de atuações industriais.

Ao pensar-se na utilização da madeira para fins mais nobres como a produção de móveis ou construção de instrumentos musicais, torna-se necessário aprimorar as características de ordem silvicultural e incorporá-las a vários outros programas de melhoramento genético e de manejo.
É, também, necessário, ter cuidado durante o desbaste e a desrama, além de avaliar outros aspectos da espécie da madeira, como a ausência de nós e outros defeitos superficiais, os níveis de tensões de crescimento, de estabilidade dimensional, a resistência mecânica, os desenhos e a
coloração.


O E. grandis apresenta boa aparência, fácil capacidade de ser trabalhado e possui características muito semelhantes ao mogno, em termos de propriedades físico-mecânicas, principalmente densidade, resistência e elasticidade.


Cadeia de custódiaEntende-se por certificação de cadeia de custódia, o seguimento da matéria-prima da floresta desde sua origem até à sua venda, passando pela colheita, processamento, armazenamento. O objetivo é assegurar que os produtos florestais certificados não se misturem com similares não certificados, garantindo ao consumidor, quer o produto florestal fabricado, seja madeireiro ou não-madeireiro, utilize matéria-prima que provém de uma floresta certificada.
Isto permite que o consumidor escolha entre um produto que tem sua origem na exploração predatória e sem critérios, ou o que tem todo um planeamento para que o impacto ambiental seja o mínimo possível, e que é conhecido como manutenção florestal sustentável.

Extração tradicional
A maneira tradicional de explorar a madeira de floretas, também denominada de mineração da madeira. Pode ser considerada equivocada e improdutiva, devido aos seguintes fatores:


• excessiva movimentação de máquinas, provocando uma maior área afetada por árvore extraída;
• quebras de volume, causadas pelo corte equivocado de algumas árvores;
• outras quebras de volume, causadas pela perda de algumas árvores abatidas e não localizadas no momento do transporte;
• menor rendimento das operações, pela falta de planeamento;
• maior custo por árvore extraída, em virtude do deslocamento desnecessário de máquinas, com consequente comprometimento do stock remanescente;
• vulnerabilidade à propagação de incêndios.

Calcula-se que, para cada m³ de madeira extraída, haja uma perda equivalente de 2 m³, ou seja, um rendimento de apenas 33% na exploração.
Sendo assim, somente a exploração feita de forma criteriosa e respeitando o ciclo natural das espécies, será capaz de prolongar a vida destes ecossistemas e abastecer de madeiras o mercado, tanto nacional quanto ao externo.

Manejo florestal sustentávelA manutenção de uma florestal sustentável é a administração da floresta para a obtenção de benefícios económicos e sociais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema. Esta manutenção, em regime de rendimento sustentável para obtenção de produtos madeireiros e não madeireiros, necessita de uma exploração de baixo impacto, da aplicação de tratamentos silviculturais, e da monitorização.

Processo certificadorAtravés da criação de um mecanismo, que é a certificação da manutenção florestal sustentável, organizações privadas concedem às empresas florestais e à rede comercial de empresas madeireiras e de papel, o direito de caracterizar os seus produtos com um selo de qualidade de matéria prima: o “selo verde“.
Os requisitos exigidos das empresas que desejam obter selos de certificação – a maioria ligados à qualidade – encurtam o caminho na conquista de novos mercados, principalmente no mercado externo, cuja demanda por madeiras com estes requisitos têm vindo a valorizar significativamente o produto.
Além do preço e da abertura de mercado, outro ponto positivo é a redução do número de intermediários, trazida pela certificação da cadeia de custódia, graças à dificuldade da sua realização, beneficiando o produtor primário, e aproximando-o do comprador final.

Após o pedido de inspeção da área florestal e do sistema de manutnção, o certificador determina
em que estado está, em relação ao critérios e princípios claramente definidos.
O processo de certificação pode também incluir uma auditoria ao produto florestal desde a zona de corte até o ponto final de venda, chamada de certificação da cadeia de custódia.
Existem várias entidades reconhecidas por organizações ambientalistas como o Greenpiece e o WWF, que credenciam empresas certificadoras em todo o mundo, como, por exemplo, O FSC - Forest Stewardship Council (Conselho de Administração de Florestas), ou o PEFC - Program for the Endorsement of Forest Certification Schemes (Programa para o Endosso de Esquemas de Certificação de Floresta), cujas logomarcas estão apresentadas nas figuras seguintes.