Painel colmeia - Lightweight Wood Panel

O painel colmeia é um painel composto de forma estrutural em sanduíche, concebido para fortalecer as estruturas primárias e secundárias, poupando tempo e reduzindo o trabalho em fábrica. É produzido com liberdades apertadas e é fácil de cortar, moldar e perfurar. Disponível numa diversa escala de cores e formas do favo de mel com revestimentos de desempenho.

Oferece um nível excepcionalmente elevado para a relação de peso, resistência fazendo com que estes painéis sanduíche possam idealmente substituir Contraplacados e OSB em aplicações onde é necessária a redução de peso.

A construção do painel Sanduíche é uma técnica na qual, as folhas são ligadas a um material de baixa densidade, entre dois módulos de alta resistência.

Estrutura dos painéis colmeia

Os painéis colmeia consistem de três elementos básicos:

• Capas (lado superior e lado inferior, 4 mm a 8 mm)
• Núcleo (colmeias hexagonais, onduladas ou quadradas)
• Moldura de madeira maciça (opcional com ou sem moldura)



Características dos painéis colmeia

Os painéis colmeia possuem qualidades excelentes para o fabrico de móveis e para decoração e equipamento de lojas.

- Redução do peso
- Alta capacidade de carga
- Alta estabilidade
- Vida útil longa
- Vãos grandes
- Praticamente sem flexão
- Transporte optimizado
- Montagem fácil

Aplicação dos painéis colmeia

Os painéis colmeia são apropriados para as mais diversas aplicações nas áreas de cozinhas, salas de estar e quartos.

Por exemplo:
- Móveis residenciais
- Mesas de conferência
- Tampos de cozinha
- Prateleiras
- Mesas de escritório
- Móveis para lojas

Processamento de painéis colmeia

Os painéis colmeia podem ser trabalhados com máquinas convencionais:
- Serrar - Como aglomerado, se possível com unidade de riscador (de acordo com as especificações do fabricante da ferramenta)
- Furar - Como aglomerado
- Fresar - Contra o avanço
- Folhear - Para painéis sem moldura, observar e revestir à pressão de prensagem
- Colar bordas - Com bordas “Rehau e Döllken”- exemplos
- Recorte Com perfil em “T” Innofix para suporte do lava-loiça dos cantos de recorte, fixação da pia e vedação da água

Ferragens para painéis colmeia

Existem ferragens apropriadas para painéis colmeia sem moldura, segundo conectores desenvolvidos que permitem construções de grande estabilidade e capacidade de carga para este material inovador. Para o fabrico de móveis com painéis colmeia, estão à disposição da indústria e dos marceneiros, além das ferragens já conhecidas, ferragens especialmente desenvolvidas apenas para este tio de painéis.



MDF - Médium Density Fibreboard

Ao falar em produtos derivados de madeira, pode-se referir o MDF – Aglomerados de fibras de densidade média ou “Médium Density Fibreboard”. Justificando-se como o produto derivado de madeira com melhores condições para substituir de facto a madeira maciça. Devido Às boas propriedades do materiel, o consumo mundial tem vindo a aumentar de uma forma contínua, podendo ser perfeitamente adequado para responder aos requisitos das aplicações de mobiliário ou pavimentos, respeitando a necessidades de resistência à humidade ou ao fogo, de baixa densidade ou moldabilidade ou mesmo para utilizações na construção. O MDF apresenta uma superfície macia ideal para lacagem, de elevada maquinação e homogeneidade.


Existem diversos produtos de Aglomerado de Fibras MDF no mercado dependendo das aplicações, destino final:

MDF “Standard (ST)”: Com uma superfície macia, sem descontinuidades e uma estrutura que o torna extremamente fácil de trabalhar. O MDF standard é muito versátil, tendo sido concebido especialmente para o fabrico de móveis e componentes com exigências elevadas de maquinabilidade e acabamento. A sua ampla gama de espessuras assegura uma excelente cobertura das necessidades da indústria de mobiliário.

MDF “Pavimentos”: A estrutura e densidade deste tipo de MDF tornam-no na solução adequada para aplicações que exigem características de resistência mecânica e que estão sujeitas a elevado desgaste, como é o caso dos pavimentos. As suas superfícies macias e uniformes permitem o revestimento com qualquer tipo de material para pavimentos.


MDF “Pavimentos resistentes à humidade (MR)”: Combinando a estrutura e densidade típicas de um produto para pavimentos com características especiais de resistência à humidade, este tipo de MDF é uma solução acertada para aplicações de pavimento em áreas mais sensíveis a humidades ocasionais.


MDF “Baixa densidade”: Aglomerado de fibras leve mas muito resistente, é a solução ideal para o fabrico de portas de guarda-roupa de grandes dimensões ou para todas as situações em que é necessária a performance mecânica e física de um MDF, mas com restrições especiais de peso. É muito utilizado na montagem e decoração de lojas, mesmo quando são especificados sistemas especiais de fixação dos painéis, especialmente em situações em que é necessária uma qualidade elevada e consistente do material


MDF “Resistente à humidade (MR)”: Combinando um excelente desempenho em termos de maquinagem com a sua elevada resistência à humidade, é uma solução ideal para designs especiais de mobiliário de cozinha e casa de banho. Além disso, este MDF resistente à humidade, pela sua excepcional aptidão para operações de maquinagem, lixagem e acabamento, é um material de referência para a fabricação de caixilhos de portas e janelas, lambrins e outros componentes para a construção.


MDF “Superlac”: Para situações especiais como, por exemplo, portas de cozinha lacadas, o MDF superlac, com características especiais de aptidão da superfície à lacagem, permite uma redução bastante significativa nos tempos de acabamento e no consumo de lacas, garantindo, ao mesmo tempo, uma excelente qualidade da superfície.


MDF “Molduras e perfis”: No âmbito dos acabamentos existe este MDF com determinados tipos cuja utilização se destina à aplicação em molduras e perfis, quer como complemento na indústria da construção, para portas e pavimentos, quer para a produção de certos elementos integrantes do mobiliário.

MDF “Moldável”: Este tipo de MDF apresenta-se com uma das faces ranhurada para utilização em aplicações que exijam a flexibilidade do material, permitindo a execução de formas mais ousadas, inexequíveis com outro tipo de material, como é o caso de curvas, ondulações e desenhos arredondados.




Contraplacado - Processo de Fabrico

Em empresas de dimensão considerável, processo de produção de contraplacados inicia com a selecção de árvores, separando segundo diversos parâmetros de qualidade. Essas árvores são transformados em toros e, após aquecimento e laminação, são submetidos à secagem.

São aproximadamente 15 as etapas necessárias para a produção do contraplcado:

1. Os Toros são cozidos:

O cozer dos toros é o processo que precede a laminação dos mesmos. Tem como intuito amolecer as fibras da madeira, tornando-a mais flexível de forma a minimizar o surgimento de fendas, aumentando a resistência e a tracção perpendicular da madeira. A qualidade da lâmina tem uma relação directa com tempo e temperatura a que será sujeito.

Os toros permanecem armazenados em estufas aquecidas a vapor, de 6 a 8 horas com temperatura de aproximadamente 160°C.



2.Processo de Laminação:

Desenrolo
Após a etapa anterior, os toros entram no torno, ou desenrolador, que é o equipamento utilizado para a obtenção das lâminas contínuas através de cortes paralelos. O seu processo caracteriza-se por um processo de desenrolamento do toro, e as lâminas são alcançadas a partir de uma superfície curva.

No corte rotativo,  90% do folheado é aproveitado para folhas utilitárias e painéis estruturais.


 
Valores aproximados:
Velocidades de desenrolamento: 50 - 300 rpm
Produção: 30 -350 m/min
Tronco de pinheiro Ø 30 cm desenrolado ≈ 20 segundos 




Centragem Toro


Geometria de corte


Barra de pressão

A barra de pressão comprime ligeiramente a madeira antes da entrada da faca.
É fundamental para uniformidade da espessura da folha menorizar o problema das fendas.

Pressão correcta, com compressão a 93% da espessura da folha.

Pressão insuficiente. Fendas grandes na face frouxa

Guilhutinagem


1 Madeira
2 Faca
3 Barra de pressão
4 Fixação da peça de madeira
5 e 6 Distâncias gume - barra de pressão
7 Ângulo de corte

Geometria de corte


Distâncias faca - barra de pressão
d1 vertical
d2 horizontal

P- Barra de pressão
K - Faca
Folheado (d = e)

Efeitos decorativos
Cortar folhas segundos vários planos para originar efeitos estéticos






3. Acerto das Lâminas:
Após a laminação, as folhas são transportadas para uma guilhotina que, através de cintas, são aparadas segundo medidas especificas para cada tipo de placa. São também separadas as lâminas para a produção, as que possuem resíduos da casca ou se encontram partidas. Após a separação são encaminhadas para um triturador, sendo utilizado como combustível para o funcionamento da Caldeira.

4. Secagem:
A secagem consiste num processo de retirada da água até um determinado teor de humidade, com consequências mínimas nos defeitos, no menor tempo possível e de forma metódica.

O objectivo da secagem das lâminas é ceder as condições adaptadas para a formação de painéis, onde durante a prensagem, a quantidade de humidade influencia a velocidade de solidificação do adesivo.

É de lembrar que quanto menor o teor de humidade da madeira, maior será a velocidade de cura ou solidificação do adesivo.

Secadores:

Câmaras metálicas
Comprimento 8-30 m
Largura ≤ 5 m
Secagem em contínuo
Controlo da temperatura, circulação do ar e velocidade do folheado 60-80º C

Transporte por rolos:

Contribui para aplanar o folheado, não sendo apropriado para folheado frágil.



Secador de cinta
Valores tipicos da tempera do ar de secagem: 80 - 110ºC


Secador de jacto de ar


Secador de tambor
Secador de tambores perfurados: Apropriado apenas para folheado fino: aderência por vácuo

feitos de secagem: Ondulação, fendas, manchas
Um dos factores de maior importância na produção de contraplacados refere-se ao teor de humidade final das lâminas. Neste processo as lâminas passam por secadores, onde todo o processo se conclui-se em aproximadamente 20 minutos.


5. Classificar as Laminas:
As lâminas são separadas de acordo com as suas características físicas. A classificação das lâminas refere-se ao uso das mesmas como capa ou contra-capa. Esta classificação é feita da seguinte maneira:

Classe A: Lâmina limpa sem nós ou falhas;
Classe B: Presença de nós com pequenos diâmetros;
Classe C: Apresentam poucos defeitos;
Classe D: Poderá apresentar algum tipo de defeito;


6. Colagem das folhas:
Este é o processo em que a lâmina recebe cola e/ou resina. A cola é preparada de acordo com as exigências de resistência do contraplacado e tipo de madeira que vai ser colocada. As principais matérias-primas empregues no processo de colagem são:

• Resinas Fenólicas WBP;
• Extensores (substâncias á base de amido ou proteína com alguma acção adesiva e que são adicionados na composição dos contraplacados);
• Água: Ajusta a viscosidade da cola pronta.





7. Montagem dos paineis:
A montagem é o processo em que são formadas as várias camadas do contraplacado. Essas camadas organizam-se de forma que as fibras de uma camada sejam perpendiculares às fibras, das camadas abaixo e acima desta. Usa-se um número ímpar de camadas, sendo que as folhas externas são chamadas de capas e as internas de miolos.


8. Assemblagem:
É o tempo de descanso dos painéis após a montagem. Esse descanso possibilita a permuta e a penetração da cola nas lâminas. O tempo mínimo para a assemblagem é de 40 minutos e o máximo é de 12 horas. Estes dados são fornecidos, geralmente, pelos fabricantes das resinas utilizadas.


9. Pré-prensagem:
Esta etapa consiste na prensagem a frio dos painéis logo após a montagem, para a transferência da cola das camadas internas. Neste processo evita-se a rápida secagem da cola aplicada.

10. Prensagem:
A prensagem é feita a quente por meio de mecanismos a vapor, onde os painéis ficam submetidos a aproximadamente 1min p/ milímetro a 130 graus para a cura da cola.

11. Reparação:
É a utilização de massa ou reparadores sintéticos para reparos de pequenos defeitos em painéis de contraplacados.

12. Maquinação:
É o processo em que as placas passam pela esquadrejadora, onde são feitos os acabamentos laterais.


13. Lixagem:
Os painéis contraplacados passam pela lixadeira com o intuito de alisar as faces das placas.

14. Acabamento:
Esta etapa consiste na aplicação de gesso para a cobertura de possíveis defeitos e reparos de nós e fendas.

15. Embalamento:
Os painéis são colocados em cima de pallets que depois seguem para a finalização do acabamento. Após isto são amarrados com fita de aço e protegidos com cantoneiras, onde esta fita passa, assegurando o maior cuidado e segurança possível com o produto.

Espécies de Madeira - Eucalipto - eucalyptus globulus

A árvore, eucalipto, é tipicamente originária da Austrália. Este chegou a Portugal há cerca de duzentos anos. Devido ao clima de Portugal, encontrou as condições ideais para crescer e multiplicar!

As espécies conhecidas, nos dias de hoje, representam largas centenas, podendo afirmar-se que se estimam em mais de 700. Em Portugal existe uma espécie dominante, o Eucalipto Globulus.

A floresta Portuguesa, expandiu, relativamente à ocupação por parte da espécie de eucalipto. É um recurso importante, natural renovável, de importância comprovada, económica, social e ambiental.

Ao longo dos anos tem-se vindo a verificar o aumento da área florestal ocupada pelo eucalipto. Com base em relatórios de 2001, encontra-se o eucalipto como a terceira das espécies florestais dominantes em Portugal, gerando uma ocupação de um sexto da área total da floresta portuguesa.

Nos primeiros lugares, evidencia-se o pinheiro bravo e o sobreiro.

 
Descrição da árvore
Árvore de grande porte, com uma altura que pode atingir os 70 - 80 m em árvores adultas velhas. A casca é realmente lisa, cinzenta ou castanha. As folhas são persistentes e têm forma e aspecto diferentes conforme a árvore está numa fase de crescimento juvenil ou adulta. As folhas juvenis são de forma oval, cor clara e com inserção, no ramo, oposta. As folhas adultas são alternadas, longas, tendo um pecíolo comprido e cor verde brilhante. As flores são grandes e de cor branca. Os frutos são pequenas cápsulas lenhosas
Madeira de eucalipto

Nome cientifico: Eucalyptus globulus

O Eucalyptus globulus e uma folhosa.

Quimicamente as folhosas distinguem-se das resinosas devido a uma maior percentagem de polissacaridos relativamente à lenhina, e por uma constituição diferente das hemiceluloses, no que diz respeito aos açúcares constituintes. É uma das mais importantes espécies de arvores cuja madeira e utilizada no fabrico de pasta para papel.

Composição química

Segundo inúmeros estudos, adquiriram-se valores aproximados, relativamente às propriedades químicas da madeira eucalipto. Contudo estes valores podem variar, relativamente pouco, consoante a localização de recolha da amostra, ou a espécie em questão, entre outros factores.

 
Celulose
Relativamente à determinação da celulose são apresentados valores elevados, na ordem de 50-55%. No entanto, determinações feitas das glucanas, ou seja toda a celulose mais a glucose presente nas hemiceluloses apresentam valores algo mais baixos, entre os 40 e 50%. Na madeira de E. globulus a celulose apresenta valores tipicamente acima de 50%, com determinações a variar entre os 40 e os 60%

Hemicelulose
As hemiceluloses apresentam valores entre 16 e 24%. Outra aproximação à quantidade das hemiceluloses e a determinação das pentosanas, isto é, a parte das hemiceluloses constituida por açucares pentoses. Nas folhosas, como e o caso de E. globulus, as pentosanas representam uma parte significativas das hemiceluloses, com valores próximos de 20%.

Lenhina
A lenhina total corresponde à soma da lenhina solúvel e insolúvel e na madeira de E. globulus tem valores entre 23 e 30%. Os valores próximos de 30% para a lenhina são relativamente elevados para uma madeira de folhosa.

Extractivos
Os extractivos com 2,5 a 5% e as cinzas com menos de 0,5%, completam a análise total da madeira. A madeira de E. globulus apresenta teores de extractivos relativamente elevados, havendo valores registados de 2 a 10%, a maior parte dos resultados estando entre 4 e 6%

Factores intrínsecos da árvore como sejam a idade, factores analíticos como o tipo variedade de solventes usados, ou o momento do ano em que a madeira foi colhida afectam igualmente as quantidades de extractivos determinados.

A fracção dos extractivos de mais baixa polaridade, incluindo “gorduras” e “ceras” é, no geral pequena. Este extracto removido, por exemplo, por diclorometano, tem valores abaixo de 1%, tipicamente próximos de 0,5%. Os extractivos mais polares, removidos pelo etanol e pela água, constituem a maior parte dos extractivos da madeira de E. globulus. Quando feitos sequencialmente, e após a remoção do extracto pelo diclorometano, os extractivos em etanol variam na maioria das analises entre 1,5 e 3% e os extractivos em agua entre 2 e 3,5%


Aspectos físicos
- Cerne e Borne distintos pela cor, cerne pardo, borne branco-amarelado; sem brilho;

- Cheiro e gosto imperceptíveis;

- Elevada densidade

- Dureza ao corte;

- Grão variável: direito, ondulada;

- Textura fina a média.


Características físicas

Densidade
- Verde - 0,858 g/cm³
- Normal - 0,516 g/cm³

Contrações%
- Contracção Volumétrica: 15%
- Radial - 5,712 %
- Tangencial - 8,254 %
- Axial - 0,140 %

Propriedades mecânicas
Flexão estática
- Mód. Resistência - 603 Kgf/cm²
- Mód. Elasticidade - 124.371 Kgf/cm²

Compressão Paralela
- Mód. Resistência - 603 Kgf/cm²
- Mód. Elasticidade - 124.370 Kgf/cm²

Compressão Normal
- Mód. Resistência - 50.4 Kgf/cm²
- Mód. Elasticidade - 594.720 Kgf/cm²

Tração Paralela
- Mód. Resistência - 1180.00 Kgf/cm²
- Mód. Elasticidade - 201.384 Kgf/cm²

Tração Normal
- Mód. Resistência - 26.40 Kgf/cm²

Durabilidade natural e tratamento químico
Madeira susceptível à acção de xilófagos marinhos.
Resistente ao apodrecimento.
As informações sobre resistência ao ataque insectos xilófagos são contraditórias.
O cerne é de difícil tratamento, entretanto, o borne é permeável.

Características de Maquinação:
Madeira com excelentes propriedades de maquinação, no entanto, requer o uso de técnicas apropriadas de desdobro para minimizar os efeitos das tensões de crescimento, bastantes evidentes nesta espécie.
Apresenta boas características de aplainamento, lixagem, furação e acabamento.

Características de Secagem:
As madeiras da espécie de eucalipto são consideradas de secagem difícil, podendo ocorrer inúmeros defeitos como colapso, empenos e fendas.

A secagem em estufa deve ser feita de acordo com programas extremamente suaves, combinando com baixas temperaturas e com alto teor de humidade relativa.

A secagem ao ar é recomendável, ou, o uso de um pré-secador, antes da secagem em estufa.

APLICAÇÕES:
Algumas aplicações do eucalipto tratado: Quiosques, casa de madeira roliça, passarelas, ancoradouros, portais, pontes, escoramento, estrutural, cobertura, ornamental, cercas, pergolas, decks, pisos entre outras.

Entre as aplicações do eucalipto estão siderurgias, carvão vegetal, móveis, portas, armações, postes, dormentes, aplicação rural, construção civil, paisagismo ou como matéria-prima para produção de papel e celulose, chapas e aglomerados, alcatrão, fenóis, tintas, resinas e pigmentos, o eucalipto está presente

Madeira Lamelada Colada - MLC

Conceito

O fabrico da madeira lamelada colada reúne duas técnicas bastante antigas. Como o próprio nome indica, a mesma foi concebida a partir da técnica da colagem aliada à técnica da laminação, ou seja, da reconstituição da madeira a partir de lâminas (neste caso entendido como tábuas).

Chama-se, portanto, “Madeira Lamelada Colada”, reconstituídas a partir de lâminas (tábuas), que são de dimensões relativamente reduzidas se comparadas às dimensões da peça final assim constituída. Essas lâminas, que são unidas por colagem, ficam dispostas de tal maneira que as suas fibras estejam paralelas entre si.

Pelo que se tem conhecimento a sua aplicação concreta teve início no século XIX. O exemplo mais marcante que pode ser citado é o de arcos compostos por lâminas (tábuas) encurvadas e sobrepostas, mantidas unidas por ligações mecânicas. Essa técnica, foi introduzida pelo coronel Emy no final do século passado.


No entanto, a junção das duas técnicas, para dar origem à Madeira Laminada-Colada (MLC) empregue no fabrico de elementos estruturais a serem utilizados na construção civil, só foi possível, com o surgimento de colas de alta resistência. Foi portanto, em 1906, com o aparecimento da cola de caseína (derivada do leite) que o mestre carpinteiro suiço Otto Hetzer teve a idéia de substituir pela cola, as ligações metálicas de braçadeiras e parafusos, utilizadas pelo coronel Emy. Com isso, obteve-se uma secção mais homogênea e sem a ocorrência de deslizamentos entre as lâminas.

Daí para a frente, a MLC evoluiu em paralelo com o progresso ocorrido com as colas, que foram-se tornando cada vez mais eficientes.

No entanto, foi em 1940, com o aparecimento das colas sintéticas que o sistema laminado-colado conheceu o seu grande progresso.

Essa técnica, que de alguma maneira surgiu também da necessidade de utilização da madeira de reflorestamento, basicamente formada por pinus encontrado em abundância em países do hemisfério norte, encontrou nessa madeira de fácil maquinação, a sua grande aliada.


 
Aplicação
A aplicação da MLC pode ser vista sob as mais variadas formas estruturais. O seu emprego vai desde pequenos passadiços, escadas e abrigos até grandes estruturas concebidas sob as mais variadas formas estéticas. São destinadas a cobrir vãos de até 100 metros sem apoio intermediário. Como exemplo, pode-se citar a obra do Hall de Tours, na França, com 98 metros de vão livre, assim como, o Palais d’Exposition d’Avignon, também na França, que tem mais de 100 metros de vão livre. Uma outra estrutura, também arrojada e onde os projectistas souberam bem explorar estética e plasticamente a aplicação da madeira sob a técnica do lamelado-colado, foi na antiga sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo na França. Uma estrutura em arcos, formando um conjunto semicircular, onde aconteciam as reuniões dos parlamentares representantes dos países da Comunidade Econômica Européia.

Apenas para mostrar o potencial do mercado das estruturas de MLC, verifica-se que só na França, chegou a existir mais de 40 indústrias a trabalhar no fabrico de estruturas de MLC, distribuídas nas diversas regiões do país. Essas indústrias atendem ao mercado francês, mas também exportam para outros países como a Bélgica, Argélia e China...

Opções de uso
A escolha de MLC para as estruturas, pode ser de fundamental importância principalmente quando se trata de estruturas expostas a um meio corrosivo, ou então, quando existir o risco de incêndio.

Primeiramente, porque a madeira devido a sua grande inércia química, não apresenta problema de deterioração quando aplicada em meio corrosivo, logo, torna-se o material ideal e de baixo custo de manutenção.

Por outro lado, quando se trata de construções sujeitas a riscos de incêndio, a utilização da MLC na componente estrutural é a mais aconselhada pois a mesma que é um material de reação inflamável, queima rapidamente a camada superficial da peça e em seguida diminui consideravelmente a velocidade de propagação do fogo para o interior da peça. Isto porque, com a formação de uma camada de carvão nessa parte externa, dificulta o acesso do oxigénio ao seu interior e consequentemente a propagação do fogo perde velocidade. Com isso o núcleo interno que resta da peça, é muitas vezes suficiente para resistir mecanicamente cerca de 30 a 40 minutos. Esse tempo é suficiente para se chegar ao foco e com isso combater o incêndio, proceder o salvamento de pessoas e retirar bens de maior valor. Em resumo, as estruturas de madeira são consideradas de reação inflamável mas que guardam “alta” resistência mecânica mesmo no caso de incêndio.

Em situação contrária, por exemplo, de uma estrutura metálica que é de reação não inflamável mas que perde a sua resistência mecânica rapidamente (em cerca de 10 minutos de incêndio) quando em presença de temperaturas elevadas, ou seja, pouco acima de 500°C perde toda a sua resistência mecânica.

Isto tem levado o corpo de bombeiros e as seguradoras de muitos países a privilegiarem as construções com estruturas de madeira, devido ao seu “comportamento perfeitamente previsível” aquando da acção de um incêndio, ou seja, algumas normas prevêem uma propagação do fogo, em madeiras do tipo coníferas, da ordem de 0,7 mm/minuto, velocidade esta que vai diminuindo na medida em que o fogo se propaga para o interior da peça.

Portanto, com base nas normas de comportamento da madeira ao fogo, já existe em alguns países, a consideração de um maior ou menor risco de incêndio e dependendo da finalidade de ocupação da construção, é prevista uma espessura a mais nas dimensões da secção transversal das peças estruturais de madeira. Com isto, sabe-se que mesmo que a madeira venha a ser queimada em 2 cm, por exemplo, o núcleo restante é suficiente para continuar a resistir mecanicamente o tempo que se quiser estimar. Isto faz com que a madeira tenha comportamento perfeitamente previsível. As coníferas, por exemplo, queimam até 2cm em 30 minutos e 3,5 cm em 60 minutos.

Já em termos de resistência mecânica, sabe-se que em termos de comparação do comportamento mecânico da madeira com outros materiais, para elementos estruturais previstos para a mesma finalidade de uso, como por exemplo, uma viga de madeira e uma de aço, com massa que dê o mesmo peso nas duas, observa-se a mesma capacidade de resistência tanto numa como na outra. Da mesma maneira, se for feita a comparação entre uma viga de madeira e uma de betão, com o mesmo volume, observa-se que as duas possuem o mesmo poder de resistência, sendo que neste caso a de madeira fica aproximadamente cinco vezes mais leve que a de betão. Isto significa economia também nas fundações.

Vantagens
Inicialmente, não se pode esquecer que a MLC é antes de mais nada “madeira”, logo, além das vantagens da estrutura ser em MLC é preciso lembrar das vantagens que estão reunidas na própria madeira, ou seja:

- Excelentes características mecânicas em relação à sua baixa densidade, aproxima-se mesmo de certas ligas leves.
- Baixa condutibilidade térmica.
- Ausência de dilatação térmica.
- Características mecânicas muito pouco alteradas em função da temperatura.
- Variação de dimensão na direcção axial perfeitamente desprezável consuante a variação do teor de humidade.
- Uma grande inércia química.
- Uma grande resistência ao fogo e de um comportamento perfeitamente previsível durante o incêndio.
- Um material que consome apenas a energia solar para sua produção e um mínimo de energia mecânica na fase de desdobro e maquinação das peças.
- Uma grande facilidade de manuseio, maquinação e execução de ligações químicas ou mecânicas, até mesmo com outros materiais de construção.

Conforme mencionado anteriormente, além das vantagens do material, a técnica do lamelado-colado confere ainda às estruturas de madeira, as seguintes características:

- Em comparação com as estruturas de madeiras feitas com peças maciças, os elementos concebidos em MLC exigem um número bem menor de ligações, uma vez que são previstos para grandes dimensões.
- A possibilidade de realizar secções de peças, não limitadas pelas dimensões e geometria do tronco das árvores.
- A possibilidade de fabricar peças de comprimento limitado apenas pelas circunstâncias de transporte.
- A possibilidade de obter peças com raio de curvatura reduzido, variável e até mesmo em planos diferentes.
- A possibilidade de vencer grandes vãos livres.
- A eliminação inicial de defeitos naturais, o que permite uma reconstituição que conduz a uma distribuição aleatória dos defeitos residuais, no interior do produto final.
- A possibilidade de tratamento da madeira, tábua por tábua, em autoclave, o que confere enorme eficiência e garantia que pode chegar até 50 anos contra o ataque de fungo e insectos xilofagos.
- Um ganho nas tensões médias de ruptura e uma redução na dispersão estatística de seus valores.
- Sob o ponto de vista a “normalização permite ainda a atribuição aos elementos estruturais de MLC, de uma resistência mecânica ligeiramente superior às da madeira maciça de qualidade equivalente (cerca de 10%).
- A vantagem do pré-fabrico, o que pode ser traduzido em racionalização da construção e ganho de tempo na montagem e entrega da obra.
- É de uma qualidade estética indiscutível, o que pode ser largamente explorado pelos arquitetos e engenheiros, na composição de um conjunto agradável e perfeitamente integrado ao ambiente.
- A leveza dessas estruturas oferece também maior facilidade de montagem, desmontagem e possibilidade de ampliação. Além disso, o peso morto sendo menor, se comparado com outros materiais, pode significar economia nas fundações.



Escolha da madeira e da cola
É possível colar practicamente todas as madeiras. Entretanto, algumas espécies possuem características físicas e químicas que exigem o emprego de colas especiais ou a modificação das colas normalmente comercializadas para o uso em madeiras.
Normalmente, as espécies mais aconselhadas para o emprego em MLC são as das coníferas e algumas dicotiledôneas, com massa volumétrica entre 0,40 e 0,75 g/cm³. De qualquer maneira, devem ser evitadas as madeiras com alta taxa de resina ou gordura.

Em todo caso, como o processo da MLC é pouco utilizado em determinados paises, é evidente que os estudos devem ser realizados no sentido de se proceder a cada região ou estado, uma investigação botânica, química, física e mecânica para a caracterização das madeiras que se possam adaptar melhor a essa técnica. Devem ter destaque nessa investigação, principalmente as madeiras provenientes de florestas plantadas.

Na maioria dos casos a escolha da cola, entre caseína, resorcina ou uréia-formol, e mais recentemente a melamina, depende mais das condições de uso da estrutura do que do tipo da madeira. Logo, é preciso levar em consideração principalmente o meio em que a estrutura vai estar submetida, ou seja, temperatura e teor de humidade.

Portanto, a escolha da cola está directamente ligada às condições em que a estrutura estará submetida, ou seja, se a mesma vai estar abrigada no interior da edificação ou exposta à variação das condições atmosféricas, como, alternância de sol e chuva. Estes, são factores determinantes na escolha da cola.

Processo de fabrico

A produção de elementos de MLC de alta qualidade, necessita de uma indústria especialmente organizada para tal finalidade. Por outro lado, desde que não sejam muitos os elementos a serem produzidos e que não sejam de grandes dimensões, é também possível a sua composição de forma artesanal.

Tratando-se, no entanto, de um fabrico industrial, três grandes etapas devem ser observadas no processo de fabrico das estruturas MLC.

1ª etapa – A preparação da madeira antes da colagem compreende a recepção. A classificação visual, a eliminação dos grandes defeitos, o armazenamento, a secagem, a união longitudinal entre as tábuas e o armazenamento antes da colagem.

2ª etapa – Essa etapa compreende a aplicação da cola, a composição do elemento, a conformação do elemento sobre um gabarito (também chamado berço) e a aplicação da pressão de colagem.

 
3ª etapa – É a fase do acabamento que compreende, aplainar lateralmente, recortar as extremidades do elemento estrutural, executar certos furos e encaixes previstos nas ligações e a aplicação final de um preservante ou simplesmente um selador ou verniz.

A classificação inicial deve compreender a verificação da espessura dos anéis de crescimento da madeira, da inclinação das fibras com relação às arestas laterais da tábua e do diâmetro dos nós. A espessura de cada lâmina depende do raio de curvatura a ser empregue, ou seja, quanto maior o raio de curvatura menor é a necessidade de se ter uma lâmina de pequena espessura.

É preciso que as tábuas estejam com um teor de humidade entre 7 e 14%. De qualquer maneira, é importante que não haja uma diferença entre teor de humidade de tábuas adjacentes, de mais de 5% para evitar o surgimento de tensão nas linhas de cola.

Para se conseguir grandes comprimentos, é necessário executar emendas longitudinais entre as tábuas e que sejam extremamente eficientes.

Essas emendas, que na época do surgimento da técnica da MLC eram executadas apenas de topo, sem nenhuma garantia de continuidade, evoluíram para as emendas em diagonal, depois em cunha e atualmente as mais eficientes, que são realizadas por entalhes múltiplos (finger-joints).

A maquinação dos entalhes deve ser feita com uma ferramenta especial, uma fresa, que deve indicar algo em torno de 8 a 10 Kg/cm².

A etapa final de preparação do elemento estrutural, compreende o acabamento. Nesta etapa, a peça é aplainada lateralmente, tem as extremidades recortadas para dar a sua forma final, assim como, são realizados os furos e entalhes necessários para as ligações entre as peças e também entre o elemento de MLC e o apoio.

O aspecto final depende do produto empregue como proteção fungicida e inseticida, assim como, da aplicação de produtos de impregnação decorativa.

Fonte:
Dr. Carlos Alberto Szücs
Professor Titular da UFSC
Departamento. Engenharia Civil/Laboratório de Experimentação em Estruturas