Aglomerado de Particulas

Sendo provavelmente o mais comum dos produtos derivados de madeira, o aglomerado de partículas é muito versátil no respeitante às suas potenciais aplicações. Adequado para uma utilização generalizada em mobiliário e na construção, o aglomerado de partículas é uma placa de três camadas, com uma superfície macia, uniforme e plana. Os diversos tipos de aglomerado disponíveis garantem um comportamento equilibrado, tanto em condições secas como quando existe risco de humidade ou eventuais exigências de resistência ao fogo.




O aglomerado de partículas é um material derivado da madeira. Este material na atualidade é muito usado no feitio de móveis e artesenatos, substituindo em parte o contraplacado. Não é apropriado para uso em lugares húmidos ou expostos a luz direta do Sol. É composto por particulas de madeira de três diferentes dimensões unidas por resinas especiais fenólicas e prensagem a quente, de forma que a superfície fique mais densa (particulas menores) e o centro da placa fique menos denso (particulas maiores). Isto contribui para a estabilidade da placa e uma superficie menos porosa, que poderá receber aplicação de tintas, vernizes, folheados de madeira ou sintéticos. A madeira utilizada pode vir de plantações próprias (reflorestamento) ou restos de madeiras (reciclagem).

A madeira é processada mecanicamente afim de se obterem partículas de vários tamanhos que depois de seleccionadas são pulverizadas com resinas. No mercado nacional é utilizado o pinho maritimo como madeira principal, utilizada nas faces, e madeira de aproveitamentos/reutilização para a camada interior. O passo seguinte é o da formação do colchão composto por três camadas, em que ambas as faces são constituídas por partículas de granolometria muito fina e a camada intermédia por partículas de granolometria maior. O colchão formado pelas três camadas é prensado a altas temperaturas obtendo-se no final placas homogéneas de aglomerado de madeira, designadas por placas de aglomerado cru, que depois de aparadas, cortadas nas medidas standard ou especificas vão a estabilizar enquanto arrefecem. Posteriormente são lixadas. No processo da mistura das partículas da madeira com resinas podem ser incorporadas outras substancias químicas que conferem ás placas propriedades hidrofugas ou ignifugas sendo a propriedade hidrofuga apresentada com pigmentos de cor verde e as ignifugas com pigmentos de cor vermelha. As placas de aglomerado cru podem ser revestidas com folhas de madeira nobre passando a ser designadas por placas de aglomerado folheado ou serem revestidas a papel embebido em resinas melaminicas passando a ser designadas por placas de laminado ou placas de aglomerado melaminico, os diversos fabricantes utilizam marcas registadas para designarem estes tipos de produtos.


Processo de Produção.O processo produtivo das placas de madeira aglomerada é realizado por meio de um processo seco e inclui a aplicação de resinas uréia-formaldeído para formar a chapa de aglomerado, além da possibilidade de utilização de diversos produtos químicos para evitar mofo, umidade, ataque de insetos e aumentar a resistência ao fogo.


O fluxo de produção das chapas de madeira aglomerada é descrito brevemente pelas etapas mencionadas abaixo:
1. Os toros de pinos e/ou eucalipto são inseridas em um tambor decantador;

2. Os toros passam em seguida por um Chipper, que as transforma em partículas de madeira;

3. As partículas são armazenadas em silos, passando em seguida por um secador e peneiras classificadoras, que separam as partículas que formarão as camadas interna e externa do painel;
4. As partículas passam por um processo de colagem e pela formadora, de onde saem três camadas, duas externas com partículas menores e uma interna com partículas maiores;
5. As camadas seguem para a prensa, de onde saem como chapas consolidadas após um processo a base de pressão e temperatura;

6. Finalmente, as chapas passam por uma serra, são lixadas de forma a sofrerem um acabamento superficial, classificadas e vão para a expedição.







"Aqui fica um link para um esquema de processo de fabrico... espero que seja util..."

http://www.sonae-industria-tafisa.com/image_bank/products/am_processofabrico.png




Tipos de AglomeradoAs placas de aglomerado são fabricadas com diferentes características, que variam em função de sua utilização final.
Podem ser classificadas de um modo geral em:
1. Chapas de revestimento: é a chapa "in natura", possibilitando receber os mais diversos tipos de acabamento.

2. Chapas revestidas: podem ser revestidas em uma ou duas faces com papel laminado de baixa pressão (BP), com película de celulose (Finish Foil), lâminas de madeira, laminado de alta pressão, pré-compostas,etc, podendo apresentar superfície lisa ou texturizada, acabamentos de diferentes brilhos e cores.




Usos e Aplicações
O aglomerado é indicado para confecção de portas de armários, tampos de mesas e outras peças onde se deseja obter um bom acabamento e uniformidade. Ele também é adequado para a fabricação de mobiliário de cozinha, quarto, sala e área de serviço com grandes vantagens sobre o contraplacado quando se trata de características físicas e econômicas (menor custo) e sobre o MDF para as mesmas funções, exceto para portas trabalhadas.
A madeira aglomerada é menos indicada para móveis que fiquem em áreas húmidas da casa por ter menor resistência a humidade. A humidade é fatal para o aglomerado, que, com tempo apodrece, a madeira costuma esfarelar em contacto frequente com ela.


Vantagens

· Densidade igual ou maior que a da madeira (característica que lhe dá maior resistência)

· Matéria-prima homogénea, feita com madeira de reflorestamento (o processo retira nós e imperfeições da madeira, evitando que rache ou deforme, aumentando a resistência)

· Baixo custo

· Resistência maior às pragas


Desvantagens

· Superfície e bordas grosseiras

· Baixa capacidade de ser trabalhada ( pouca possibilidade da madeira ser entalhada ou ser torneada podendo receber bordas)

· Pelas suas características técnicas, pode esfarelar com o uso de dobradiças e parafusos inadequados

· Não aceita pregos

· Baixa resistência à humidade


Panorama Mercado InternacionalOs painéis de aglomerado são os mais largamente consumidos no mundo dentre os diferentes painéis de madeira reconstituída existentes.
A produção mundial de aglomerados alcançou 84 milhões de m³, em 2000, destacando-se como maior fabricante os Estados Unidos responsável por 25% desse volume.
No período 1996/2000, o consumo mundial de aglomerado cresceu à uma taxa média anual de 6,5%; Estados Unidos e Alemanha são os maiores centros de consumo, representando 46% da procura.
O comércio mundial de aglomerado movimenta cerca de US$ 6 bilhões e 25% do consumo global (22 milhões de m³). A Europa concentra metade das transações realizadas. Observa-se que a comercialização se dá, preferencialmente, entre regiões próximas, uma vez que o preço do aglomerado não suporta valores de fretes para grandes distâncias.
A Europa é a principal região exportadora, enquanto América do Norte e Ásia/Oceania são importadoras. Os Estados Unidos são o maior importador mundial e o Canadá é o maior exportador. A China é outro importador de expressão.
Merece destaque a condição de importador líquido de aglomerado do Continente Asiático. Em 2000, a Ásia importou 2,5 milhões de metros cúbicos de aglomerado e exportou 1,3 milhão, segundo a FAO. Seus fornecedores tradicionais são os países da Oceania, principalmente Nova Zelândia, e da Europa.

Teor de cinzas de uma cola para madeira

O Poli–acetato de vinilo PVA, (conhecido por cola branca) tem um excelente poder adesivo e dá uma junta resistente.

A vantagem destas colas é a utilização de água como meio de dispersão.
Esta cola não pode ser utilizada em meios exteriores devido a sua elevada sensibilidade à água.
Esta cola é muito comum na indústria do mobiliário onde tem várias utilizações, tais como colagem de samblagens, colagens de alta-frequência, etc.
Este tipo de cola (cola branca) caracteriza-se por ser um polímero rijo e quebradiço, tendo em conta que a temperatura de secagem desta cola é superior à temperatura ambiente, recorre-se à adição de plastificantes com o intuito de diminuir o tempo de secagem. As colas brancas apresentam alguns inconvenientes; assim como: uma resistência medíocre ás intempéries a não ser que seja introduzido um endurecedor (como por exemplo a melanina) e também exige uma preparação previa da superfície a colar.

Uma grande vantagem desta cola é esta estar sempre pronta a ser utilizada (excepto nos casos com endurecedor) e é muito fácil de utilizar.
Este tipo de colas apresenta uma elevada concentração de partículas sólidas, pelo que podem obter-se soluções aquosas de baixa viscosidade.
Um outro tipo de cola é a cola de solvente (ou cola de contacto), que também é uma cola muito utilizada na indústria do mobiliário onde o seu manuseamento deve ser cuidado devido ás características que apresentam os seus solventes. É uma cola de presa instantânea, possibilitando efectuar a colagem por pressão manual, apesar de ter boas capacidades adesivas é necessário uma técnica elaborada na sua aplicação tornando--se indispensável a encolagem prévia das duas superfícies a colar à espera do tempo de aberto necessário e só assim é que se deve por em contacto os dois elementos pré colados. A grande desvantagem desta cola é o facto de ter solventes voláteis na sua constituição, pois, uma má utilização desta cola ou o simples facto de ser mal acondicionada pode fazer com que esta perca as suas propriedades químicas.


TEOR DE CINZASO teor de cinzas (componentes não-voláteis) ou extracto seco expressa-se pela quantidade que resta, em peso, da amostra de cola depois de submetida a temperaturas elevadas (450ºC) sob condições determinadas. Podemos então dizer, que o teor de cinzas é o teor de sólidos que submetidos a altas temperaturas se torna em cinzas.
Embora a maior parte das colas para madeiras sejam de dispersões em água ou em soluções hidro-alcoólicas, as colas solventes apresentam-se em solução.
Esta particularidade exige que se tomem precauções, dada a inflamabilidade destes solventes e aos vapores libertados, havendo por isso necessidade de uma boa ventilação.
Estas colas, fazem parte do grupo das colas de contacto, portanto toma-se indispensáveis a colagem prévia das superfícies a ligar.
Determinação do teor de cinzaA Cinza é um resíduo inorgânico resultante da oxidação completa da matéria orgânica:
– Representa o teor total de elementos minerais;
– Caracteriza os produtos refinados – cinza total;
– Testa as propriedades físicas - cinza solúvel em água;
– Determina a contaminação com areia – cinza insolúvel em ácido.
– A preparação de cinzas é o passo inicial do procedimento para análise elementar.

A cinza não tem necessariamente a mesma composição que a matéria mineral presente originalmente na amostra. Depende da natureza da amostra e do método de determinação utilizado.

Produção de cinzas – Método secoColocação em mufla a temperaturas superiores a 500 ºC;
Vaporização de água e voláteis;
Reacção dos compostos orgânicos com o oxigénio atmosférico para produzir dióxido de carbono, água e óxidos de azoto;
Conversão da maior parte dos elementos minerais em sais (óxidos, sulfatos, cloretos, fosfatos, silicatos;
– Fe, Se, Pb e Hg Cd Cr, Ag, Ni, Va, Zn, P, podem ser parcialmente evaporados;
• Não requer adição de reagentes
• Pouca manipulação
• Processo lento

Produção de cinzas – método húmido• Oxidação completa da matéria orgânica por misturas de ácidos nítrico sulfúrico e perclórico;
• Não ocorre volatilização;
• É mais rápido que o método seco;
• Extremamente perigoso por utilizar reagentes muito corrosivos e potencialmente explosivos (ácido perclórico);
• Requer uma “Hotte” especial para ácido perclórico.

Regras para a obtenção de resultados precisos e exatos:1. Todo material utilizado deve ser o mais puro e inerte
possível.
2. A limpeza dos equipamentos e cadinhos por banho de
vapor é muito importante para diminuir as interferências e a
adsorção dos elementos.
3. Utilização de microtécnicas com pequenos equipamentos e
cadinhos.
4. Os reagentes e o material de laboratório devem ser o mais
puros possível.
5. Evitar a contaminação do ar no laboratório.
6. Restringir as manipulações e etapas de trabalho.
7. Todo o procedimento deve ser verificado por análises
comparativas interlaboratoriais.

Molhabilidade da Madeira


O ângulo de molhabilidade (também conhecido como ângulo de contacto) entre uma gota de um líquido com uma tensão superficial conhecida e uma superfície sólida (figura 1) depende da relação entre as forças adesivas, que fariam a gota espalhar-se sobre a superfície e as forças coesivas do líquido que contraem a gota formando uma esfera com uma superfície mínima.
Figura 1: Ângulo de contacto e molhabilidade


Se a gota repousar sobre uma superfície homogénea perfeitamente nivelada, forma-se um ângulo de contacto de equilíbrio entre o líquido e a superfície sólida em qualquer ponto da linha de três fazes, onde se encontram o sólido, o líquido e a fase de vapor.
Quando a gota se expande, em regra, temos um ângulo de contacto um pouco maior (ângulo de contacto avançando) do que quando a gota fica menor (ângulo de contacto mais pequeno).
A histerese do ângulo de contacto como a diferença entre o ângulo de contacto avançando e pequeno é interpretada como uma sequência de heterogeneidades geométricas e de energias superficiais do sólido.
O ângulo de molhabilidade do líquido sobre o sólido ajusta-se por si mesmo de modo a que soma das forças é igual a zero.
A figura 2 mostra o comportamento de uma gota sobre uma superfície que apresenta em (a) um molhamento, em (b) molhamento parcial e em (c) molhagem total. Para líquidos molhantes, as forças coercivas (forças líquido-líquido) são maiores que as forças adesivas (forças sólido-líquido).
Figura 2- O fenómeno da molhabilidade
Em líquidos não molhantes, o oposto ocorre. E é evidente que, se as forças de campo (gravitacionais, por exemplo) que agem no sistema são pequenas, o formato das gotas aproximam-se de um formato de uma esfera, com contacto com a superfície em apenas um ponto, ou seja, com um ângulo de contacto que se aproxima de 180º.

Espécies de Madeira - Teca

A Tectona grandis, também chamada comercialmente de teca, teak ou djati, é uma madeira de densidade média 0,67 com marcantes características que a vocacionam para a construção naval, especialmente, no que diz respeito à durabilidade (devido a presença de óleosidade e sílica), coeficiente de retratibilidade baixo e relativa leveza, prestando-se, de forma insubstituível, para forro dos convés.

Devido à grande procura, especificamente para construção naval, a teca situa-se entre as madeiras prediletas para o reflorestamento, encontrando-se cultivos espalhados pelo mundo, inclusive no Brasil, embora seja mais abundante na Índia, em Burma e na Indonésia.
Outras madeiras podem substituir a teca, como o louro-preto (empregue pelos argentinos, que o denominam peteribí), o acapu (teca-do-pará), a itaúba, a taiúva e o pequiá — madeiras tropicais sem, no entanto, as mesmas características de durabilidade, estabilidade dimensional e relativa leveza.





Aspectos Físicos
O borne é estreito e claro, bem distinto do cerne, cuja cor é marrom viva e brilhante. Essa beleza peculiar faz da teca uma madeira muito procurada para decoração de interiores luxuosos e mobiliário fino.


Utilização

Além do efeito decorativo, a madeira de teca é utilizada para as mais diversas finalidades: construção naval, laminação e compensados, lenha e carvão vegetal; as duas últimas são específicas para as áreas de ocorrência natural.


Painéis de sarrafos são utilizados para a fabricação de móveis, portas, decoração interna e também na produção dos mais diversos utensílios. A madeira de pequeno diâmetro é largamente usada na edificação de construções rústicas, como vigamento, esteio ou madeiramento do telhado. Madeira nobre muito usada em soalhos, forros, decks, pisos, MÓVEIS FINOS, móveis externos, indústria náutica, molduras, painéis, varões de cortinas, utensílios, etc.

QualidadeA madeira da teca é procurada no mercado internacional, por suas características, como o peso de cerca de 650 quilos por metro cúbico, situando-se entre o cedro e o mogno.
Possui boa resistência em relação ao peso, quanto à tracção, flexão e outros esforços mecânicos é semelhante ao mogno brasileiro. Para a produção de móveis, especialmente cadeiras, que necessitam de constante deslocamento, a teca apresenta resistência e ao mesmo tempo leveza.




Propriedades Físicas

Densidade: A densidade média da teca é 0,65g/cm³ e, apesar de ser leve, apresenta boa resistência a peso, tração e flexão, semelhante ao mogno brasileiro.

Densidade de massa (r): Aparente a 15% de humidade: 660 kg/m³

Contração:Radial: 2,1 %
Tangencial: 4,6 %
Volumétrica: 6,7 %

Estabilidade: A madeira é estável; praticamente não empena e se contrai muito pouco durante a secagem. A estabilidade permite que a teca (madeira) resista à variação de humidade no ambiente.

Durabilidade: A durabilidade é uma característica marcante dessa espécie. Até o momento são poucos os registos, nos países onde a teca é cultivada, de ataques de pragas que possam comprometer os plantios. A durabilidade do cerne deve-se a tectoquinona, um preservante natural contido nas células da madeira. O borne é um material permeável, propriedade que facilita a aplicação de agentes preservativos. Porém, esse tratamento somente é necessário quando a madeira ficar exposta ao tempo; ademais, o alburno possui todas as outras qualidades do cerne. Tanto alburno, quanto cerne contém uma substância semelhante a um látex, denominado caucho, que reduz a absorção de água e lubrifica as superfícies. Essa substância também confere resistência a ácidos e protege pregos e parafusos da corrosão. Nos países onde a teca é explorada - de floresta nativa ou reflorestamento- toda a madeira é aproveitada, incluindo os toros de pequeno diâmetro obtida nos desbastes.

Propriedades Mecânicas

Flexão:Resistência (fM): Madeira a 15% de humidade: 92,0 MPa
Módulo de elasticidade - Madeira verde: 9307 MPa

Compressão paralela às fibras:Resistência (fc0): Madeira a 15% de humidade: 47,0 MPa

Outras propriedades:Dureza - Madeira verde: 5600 N

MercadoA produção mundial é estimada em três milhões de metros cúbicos. Os maiores produtores são Indonésia, Mianmar e Sri Lanka. A maior parcela da madeira é consumida pelo mercado interno dos países produtores. Aproximadamente 500 mil metros cúbicos são comercializados no mercado internacional. Entre os importadores destacam-se:

Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, Dinamarca, Emirados Árabes, Estados Unidos,
Holanda, Itália, Japão e Reino Unido.

Hong Kong e Cingapura são importantes centros de manufatura e reexportação da teca originária de Mianmar. Índia e Tailândia, que até recentemente eram exportadores de teca, passaram a importá-la. O consumo nesses dois países é grande e a perspectiva para a colocação da madeira de pequeno diâmetro dos desbastes, seja em toros ou madeira serrada. A procura por madeira de Teca deverá ampliar-se, devido aos seguintes motivos: o aumento do consumo, decorrente da elevação do padrão de vida nos países do sudeste Asiático, onde o uso da Teca é tradição; a disponibilidade decrescente das outras madeiras tropicais de qualidade, todas elas originárias da exploração da floresta natural; a crescente conscientização ambiental do consumidor europeu e norte-americano, preocupado com a preservação da floresta tropical.


A floresta amazônica, última grande reserva madeireira do País, já sinaliza esgotamento, em especial no que diz respeito às madeiras de qualidade e valor, utilizadas em serração e folhamento. Estima-se que as reservas economicamente exploráveis de mogno, cerejeira e freijó, bem como as espécies de valor secundário serão escassas nos próximos anos. No Sudeste Asiático e outras regiões, onde a Teca é tradicionalmente plantada, não existe disponibilidade de terrenos para a ampliação do reflorestamento. Por serem regiões com grande densidade populacional, as terras destinadas a reflorestamento são de qualidade inferior e sujeitas a incêndios frequentes, condições que reduzem a produtividade e obrigam a uma extensão do ciclo de corte para até 100 anos. Assim, torna-se inviável a competição entre estas plantações e os reflorestamentos de ciclo curto.

Regiões predominantesO florestamento da Teca tem uma longa tradição no Sudeste Asiático, mas inicialmente foi desenvolvido como um sistema agro-silvicultural, para recompor áreas abandonadas pela agricultura itinerante. Na Segunda metade do século XIX, os colonizadores europeus deram início ao reflorestamento sistemático e em larga escala da Teca, com o propósito de assegurar a disponibilidade sustentada da madeira, então de estratégica importância na construção de navios mercantes e de guerra. A área atualmente reflorestada com teca é superior a 2,5 milhões de hectares, concentrando-se na Indonésia, Índia, Mianmar e Tailândia. Existe também extensas plantações da espécie na Oceania, na África e no Caribe. Estes reflorestamentos foram estabelecidos em formações homogeneas, cobrindo áreas extensas e contínuas. A Teca mostrou ser pouco sujeita à pragas e doenças. A dispersão geográfica destas plantações demonstra tratar-se de uma espécie fácil adaptação.

CERTIFICAÇÃO DE MADEIRAS PARA USO INDUSTRIAL

Ao longo da história, o homem sempre procurou produzir coisas para facilitar, desde as actividades mais primárias, até as necessidades criadas pela complexa e moderna sociedade global.
Tal crescimento e diversificação acabou por desencadear uma destruição sem precedentes na biodiversidade do planeta, pois a demanda por matéria-prima é muito maior do que a capacidade de regeneração dos ecossistemas.
Dentro deste quadro, a mais evidente devastação é a de florestas nativas em busca de madeira para a produção de estruturas, papel, carvão e móveis, entre outros.
No intuito de amenizar e reverter este cenário, surgiram nas últimas décadas órgãos e empresas que visam o controle da utilização da madeira oriunda de florestas tropicais nativas e mesmo das plantadas.


Florestas nativas e florestas plantadasFlorestas nativas
São exploradas para atender ao mercado de madeiras de duas formas:
• Pelo meio de manejo florestal: através da exploração planeada e controlada da mata nativa.
• Pelo meio de exploração extractivista: explorando comercialmente apenas as espécies com
valor de mercado, sem projetos de manejo.

Florestas plantadas
Destinam-se à produção de matéria-prima para as indústrias de madeira serrada, painéis à base
de madeira, cuja implantação, manutenção e exploração seguem projetos previamente aprovados pelos entidades correspondentes.
Na indústria, tem crescido muito, nos últimos anos, a adopção de madeiras nativas ou de reflorestamento, fomentada pela valorização do selo verde junto aos consumidores finais.

É no emprego de madeiras de reflorestamento que se concentram actualmente as atenções das indústrias, designers e construtores. Entre as mais exploradas estão o Eucalipto e o Pinus.


A madeira de Eucalyptus grandis é uma das mais promissoras pelos seguintes motivos:
• já possui a maior área plantada no país;
• é uma espécie por demais conhecida, difundida e pesquisada;
• já apresenta uma disponibilidade imediata de florestas em idade de corte;
• é uma madeira leve, de boa resistência mecânica, capaz de receber os mais variados tipos de atuações industriais.

Ao pensar-se na utilização da madeira para fins mais nobres como a produção de móveis ou construção de instrumentos musicais, torna-se necessário aprimorar as características de ordem silvicultural e incorporá-las a vários outros programas de melhoramento genético e de manejo.
É, também, necessário, ter cuidado durante o desbaste e a desrama, além de avaliar outros aspectos da espécie da madeira, como a ausência de nós e outros defeitos superficiais, os níveis de tensões de crescimento, de estabilidade dimensional, a resistência mecânica, os desenhos e a
coloração.


O E. grandis apresenta boa aparência, fácil capacidade de ser trabalhado e possui características muito semelhantes ao mogno, em termos de propriedades físico-mecânicas, principalmente densidade, resistência e elasticidade.


Cadeia de custódiaEntende-se por certificação de cadeia de custódia, o seguimento da matéria-prima da floresta desde sua origem até à sua venda, passando pela colheita, processamento, armazenamento. O objetivo é assegurar que os produtos florestais certificados não se misturem com similares não certificados, garantindo ao consumidor, quer o produto florestal fabricado, seja madeireiro ou não-madeireiro, utilize matéria-prima que provém de uma floresta certificada.
Isto permite que o consumidor escolha entre um produto que tem sua origem na exploração predatória e sem critérios, ou o que tem todo um planeamento para que o impacto ambiental seja o mínimo possível, e que é conhecido como manutenção florestal sustentável.

Extração tradicional
A maneira tradicional de explorar a madeira de floretas, também denominada de mineração da madeira. Pode ser considerada equivocada e improdutiva, devido aos seguintes fatores:


• excessiva movimentação de máquinas, provocando uma maior área afetada por árvore extraída;
• quebras de volume, causadas pelo corte equivocado de algumas árvores;
• outras quebras de volume, causadas pela perda de algumas árvores abatidas e não localizadas no momento do transporte;
• menor rendimento das operações, pela falta de planeamento;
• maior custo por árvore extraída, em virtude do deslocamento desnecessário de máquinas, com consequente comprometimento do stock remanescente;
• vulnerabilidade à propagação de incêndios.

Calcula-se que, para cada m³ de madeira extraída, haja uma perda equivalente de 2 m³, ou seja, um rendimento de apenas 33% na exploração.
Sendo assim, somente a exploração feita de forma criteriosa e respeitando o ciclo natural das espécies, será capaz de prolongar a vida destes ecossistemas e abastecer de madeiras o mercado, tanto nacional quanto ao externo.

Manejo florestal sustentávelA manutenção de uma florestal sustentável é a administração da floresta para a obtenção de benefícios económicos e sociais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema. Esta manutenção, em regime de rendimento sustentável para obtenção de produtos madeireiros e não madeireiros, necessita de uma exploração de baixo impacto, da aplicação de tratamentos silviculturais, e da monitorização.

Processo certificadorAtravés da criação de um mecanismo, que é a certificação da manutenção florestal sustentável, organizações privadas concedem às empresas florestais e à rede comercial de empresas madeireiras e de papel, o direito de caracterizar os seus produtos com um selo de qualidade de matéria prima: o “selo verde“.
Os requisitos exigidos das empresas que desejam obter selos de certificação – a maioria ligados à qualidade – encurtam o caminho na conquista de novos mercados, principalmente no mercado externo, cuja demanda por madeiras com estes requisitos têm vindo a valorizar significativamente o produto.
Além do preço e da abertura de mercado, outro ponto positivo é a redução do número de intermediários, trazida pela certificação da cadeia de custódia, graças à dificuldade da sua realização, beneficiando o produtor primário, e aproximando-o do comprador final.

Após o pedido de inspeção da área florestal e do sistema de manutnção, o certificador determina
em que estado está, em relação ao critérios e princípios claramente definidos.
O processo de certificação pode também incluir uma auditoria ao produto florestal desde a zona de corte até o ponto final de venda, chamada de certificação da cadeia de custódia.
Existem várias entidades reconhecidas por organizações ambientalistas como o Greenpiece e o WWF, que credenciam empresas certificadoras em todo o mundo, como, por exemplo, O FSC - Forest Stewardship Council (Conselho de Administração de Florestas), ou o PEFC - Program for the Endorsement of Forest Certification Schemes (Programa para o Endosso de Esquemas de Certificação de Floresta), cujas logomarcas estão apresentadas nas figuras seguintes.