Molhabilidade da Madeira


O ângulo de molhabilidade (também conhecido como ângulo de contacto) entre uma gota de um líquido com uma tensão superficial conhecida e uma superfície sólida (figura 1) depende da relação entre as forças adesivas, que fariam a gota espalhar-se sobre a superfície e as forças coesivas do líquido que contraem a gota formando uma esfera com uma superfície mínima.
Figura 1: Ângulo de contacto e molhabilidade


Se a gota repousar sobre uma superfície homogénea perfeitamente nivelada, forma-se um ângulo de contacto de equilíbrio entre o líquido e a superfície sólida em qualquer ponto da linha de três fazes, onde se encontram o sólido, o líquido e a fase de vapor.
Quando a gota se expande, em regra, temos um ângulo de contacto um pouco maior (ângulo de contacto avançando) do que quando a gota fica menor (ângulo de contacto mais pequeno).
A histerese do ângulo de contacto como a diferença entre o ângulo de contacto avançando e pequeno é interpretada como uma sequência de heterogeneidades geométricas e de energias superficiais do sólido.
O ângulo de molhabilidade do líquido sobre o sólido ajusta-se por si mesmo de modo a que soma das forças é igual a zero.
A figura 2 mostra o comportamento de uma gota sobre uma superfície que apresenta em (a) um molhamento, em (b) molhamento parcial e em (c) molhagem total. Para líquidos molhantes, as forças coercivas (forças líquido-líquido) são maiores que as forças adesivas (forças sólido-líquido).
Figura 2- O fenómeno da molhabilidade
Em líquidos não molhantes, o oposto ocorre. E é evidente que, se as forças de campo (gravitacionais, por exemplo) que agem no sistema são pequenas, o formato das gotas aproximam-se de um formato de uma esfera, com contacto com a superfície em apenas um ponto, ou seja, com um ângulo de contacto que se aproxima de 180º.

Espécies de Madeira - Teca

A Tectona grandis, também chamada comercialmente de teca, teak ou djati, é uma madeira de densidade média 0,67 com marcantes características que a vocacionam para a construção naval, especialmente, no que diz respeito à durabilidade (devido a presença de óleosidade e sílica), coeficiente de retratibilidade baixo e relativa leveza, prestando-se, de forma insubstituível, para forro dos convés.

Devido à grande procura, especificamente para construção naval, a teca situa-se entre as madeiras prediletas para o reflorestamento, encontrando-se cultivos espalhados pelo mundo, inclusive no Brasil, embora seja mais abundante na Índia, em Burma e na Indonésia.
Outras madeiras podem substituir a teca, como o louro-preto (empregue pelos argentinos, que o denominam peteribí), o acapu (teca-do-pará), a itaúba, a taiúva e o pequiá — madeiras tropicais sem, no entanto, as mesmas características de durabilidade, estabilidade dimensional e relativa leveza.





Aspectos Físicos
O borne é estreito e claro, bem distinto do cerne, cuja cor é marrom viva e brilhante. Essa beleza peculiar faz da teca uma madeira muito procurada para decoração de interiores luxuosos e mobiliário fino.


Utilização

Além do efeito decorativo, a madeira de teca é utilizada para as mais diversas finalidades: construção naval, laminação e compensados, lenha e carvão vegetal; as duas últimas são específicas para as áreas de ocorrência natural.


Painéis de sarrafos são utilizados para a fabricação de móveis, portas, decoração interna e também na produção dos mais diversos utensílios. A madeira de pequeno diâmetro é largamente usada na edificação de construções rústicas, como vigamento, esteio ou madeiramento do telhado. Madeira nobre muito usada em soalhos, forros, decks, pisos, MÓVEIS FINOS, móveis externos, indústria náutica, molduras, painéis, varões de cortinas, utensílios, etc.

QualidadeA madeira da teca é procurada no mercado internacional, por suas características, como o peso de cerca de 650 quilos por metro cúbico, situando-se entre o cedro e o mogno.
Possui boa resistência em relação ao peso, quanto à tracção, flexão e outros esforços mecânicos é semelhante ao mogno brasileiro. Para a produção de móveis, especialmente cadeiras, que necessitam de constante deslocamento, a teca apresenta resistência e ao mesmo tempo leveza.




Propriedades Físicas

Densidade: A densidade média da teca é 0,65g/cm³ e, apesar de ser leve, apresenta boa resistência a peso, tração e flexão, semelhante ao mogno brasileiro.

Densidade de massa (r): Aparente a 15% de humidade: 660 kg/m³

Contração:Radial: 2,1 %
Tangencial: 4,6 %
Volumétrica: 6,7 %

Estabilidade: A madeira é estável; praticamente não empena e se contrai muito pouco durante a secagem. A estabilidade permite que a teca (madeira) resista à variação de humidade no ambiente.

Durabilidade: A durabilidade é uma característica marcante dessa espécie. Até o momento são poucos os registos, nos países onde a teca é cultivada, de ataques de pragas que possam comprometer os plantios. A durabilidade do cerne deve-se a tectoquinona, um preservante natural contido nas células da madeira. O borne é um material permeável, propriedade que facilita a aplicação de agentes preservativos. Porém, esse tratamento somente é necessário quando a madeira ficar exposta ao tempo; ademais, o alburno possui todas as outras qualidades do cerne. Tanto alburno, quanto cerne contém uma substância semelhante a um látex, denominado caucho, que reduz a absorção de água e lubrifica as superfícies. Essa substância também confere resistência a ácidos e protege pregos e parafusos da corrosão. Nos países onde a teca é explorada - de floresta nativa ou reflorestamento- toda a madeira é aproveitada, incluindo os toros de pequeno diâmetro obtida nos desbastes.

Propriedades Mecânicas

Flexão:Resistência (fM): Madeira a 15% de humidade: 92,0 MPa
Módulo de elasticidade - Madeira verde: 9307 MPa

Compressão paralela às fibras:Resistência (fc0): Madeira a 15% de humidade: 47,0 MPa

Outras propriedades:Dureza - Madeira verde: 5600 N

MercadoA produção mundial é estimada em três milhões de metros cúbicos. Os maiores produtores são Indonésia, Mianmar e Sri Lanka. A maior parcela da madeira é consumida pelo mercado interno dos países produtores. Aproximadamente 500 mil metros cúbicos são comercializados no mercado internacional. Entre os importadores destacam-se:

Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, Dinamarca, Emirados Árabes, Estados Unidos,
Holanda, Itália, Japão e Reino Unido.

Hong Kong e Cingapura são importantes centros de manufatura e reexportação da teca originária de Mianmar. Índia e Tailândia, que até recentemente eram exportadores de teca, passaram a importá-la. O consumo nesses dois países é grande e a perspectiva para a colocação da madeira de pequeno diâmetro dos desbastes, seja em toros ou madeira serrada. A procura por madeira de Teca deverá ampliar-se, devido aos seguintes motivos: o aumento do consumo, decorrente da elevação do padrão de vida nos países do sudeste Asiático, onde o uso da Teca é tradição; a disponibilidade decrescente das outras madeiras tropicais de qualidade, todas elas originárias da exploração da floresta natural; a crescente conscientização ambiental do consumidor europeu e norte-americano, preocupado com a preservação da floresta tropical.


A floresta amazônica, última grande reserva madeireira do País, já sinaliza esgotamento, em especial no que diz respeito às madeiras de qualidade e valor, utilizadas em serração e folhamento. Estima-se que as reservas economicamente exploráveis de mogno, cerejeira e freijó, bem como as espécies de valor secundário serão escassas nos próximos anos. No Sudeste Asiático e outras regiões, onde a Teca é tradicionalmente plantada, não existe disponibilidade de terrenos para a ampliação do reflorestamento. Por serem regiões com grande densidade populacional, as terras destinadas a reflorestamento são de qualidade inferior e sujeitas a incêndios frequentes, condições que reduzem a produtividade e obrigam a uma extensão do ciclo de corte para até 100 anos. Assim, torna-se inviável a competição entre estas plantações e os reflorestamentos de ciclo curto.

Regiões predominantesO florestamento da Teca tem uma longa tradição no Sudeste Asiático, mas inicialmente foi desenvolvido como um sistema agro-silvicultural, para recompor áreas abandonadas pela agricultura itinerante. Na Segunda metade do século XIX, os colonizadores europeus deram início ao reflorestamento sistemático e em larga escala da Teca, com o propósito de assegurar a disponibilidade sustentada da madeira, então de estratégica importância na construção de navios mercantes e de guerra. A área atualmente reflorestada com teca é superior a 2,5 milhões de hectares, concentrando-se na Indonésia, Índia, Mianmar e Tailândia. Existe também extensas plantações da espécie na Oceania, na África e no Caribe. Estes reflorestamentos foram estabelecidos em formações homogeneas, cobrindo áreas extensas e contínuas. A Teca mostrou ser pouco sujeita à pragas e doenças. A dispersão geográfica destas plantações demonstra tratar-se de uma espécie fácil adaptação.

CERTIFICAÇÃO DE MADEIRAS PARA USO INDUSTRIAL

Ao longo da história, o homem sempre procurou produzir coisas para facilitar, desde as actividades mais primárias, até as necessidades criadas pela complexa e moderna sociedade global.
Tal crescimento e diversificação acabou por desencadear uma destruição sem precedentes na biodiversidade do planeta, pois a demanda por matéria-prima é muito maior do que a capacidade de regeneração dos ecossistemas.
Dentro deste quadro, a mais evidente devastação é a de florestas nativas em busca de madeira para a produção de estruturas, papel, carvão e móveis, entre outros.
No intuito de amenizar e reverter este cenário, surgiram nas últimas décadas órgãos e empresas que visam o controle da utilização da madeira oriunda de florestas tropicais nativas e mesmo das plantadas.


Florestas nativas e florestas plantadasFlorestas nativas
São exploradas para atender ao mercado de madeiras de duas formas:
• Pelo meio de manejo florestal: através da exploração planeada e controlada da mata nativa.
• Pelo meio de exploração extractivista: explorando comercialmente apenas as espécies com
valor de mercado, sem projetos de manejo.

Florestas plantadas
Destinam-se à produção de matéria-prima para as indústrias de madeira serrada, painéis à base
de madeira, cuja implantação, manutenção e exploração seguem projetos previamente aprovados pelos entidades correspondentes.
Na indústria, tem crescido muito, nos últimos anos, a adopção de madeiras nativas ou de reflorestamento, fomentada pela valorização do selo verde junto aos consumidores finais.

É no emprego de madeiras de reflorestamento que se concentram actualmente as atenções das indústrias, designers e construtores. Entre as mais exploradas estão o Eucalipto e o Pinus.


A madeira de Eucalyptus grandis é uma das mais promissoras pelos seguintes motivos:
• já possui a maior área plantada no país;
• é uma espécie por demais conhecida, difundida e pesquisada;
• já apresenta uma disponibilidade imediata de florestas em idade de corte;
• é uma madeira leve, de boa resistência mecânica, capaz de receber os mais variados tipos de atuações industriais.

Ao pensar-se na utilização da madeira para fins mais nobres como a produção de móveis ou construção de instrumentos musicais, torna-se necessário aprimorar as características de ordem silvicultural e incorporá-las a vários outros programas de melhoramento genético e de manejo.
É, também, necessário, ter cuidado durante o desbaste e a desrama, além de avaliar outros aspectos da espécie da madeira, como a ausência de nós e outros defeitos superficiais, os níveis de tensões de crescimento, de estabilidade dimensional, a resistência mecânica, os desenhos e a
coloração.


O E. grandis apresenta boa aparência, fácil capacidade de ser trabalhado e possui características muito semelhantes ao mogno, em termos de propriedades físico-mecânicas, principalmente densidade, resistência e elasticidade.


Cadeia de custódiaEntende-se por certificação de cadeia de custódia, o seguimento da matéria-prima da floresta desde sua origem até à sua venda, passando pela colheita, processamento, armazenamento. O objetivo é assegurar que os produtos florestais certificados não se misturem com similares não certificados, garantindo ao consumidor, quer o produto florestal fabricado, seja madeireiro ou não-madeireiro, utilize matéria-prima que provém de uma floresta certificada.
Isto permite que o consumidor escolha entre um produto que tem sua origem na exploração predatória e sem critérios, ou o que tem todo um planeamento para que o impacto ambiental seja o mínimo possível, e que é conhecido como manutenção florestal sustentável.

Extração tradicional
A maneira tradicional de explorar a madeira de floretas, também denominada de mineração da madeira. Pode ser considerada equivocada e improdutiva, devido aos seguintes fatores:


• excessiva movimentação de máquinas, provocando uma maior área afetada por árvore extraída;
• quebras de volume, causadas pelo corte equivocado de algumas árvores;
• outras quebras de volume, causadas pela perda de algumas árvores abatidas e não localizadas no momento do transporte;
• menor rendimento das operações, pela falta de planeamento;
• maior custo por árvore extraída, em virtude do deslocamento desnecessário de máquinas, com consequente comprometimento do stock remanescente;
• vulnerabilidade à propagação de incêndios.

Calcula-se que, para cada m³ de madeira extraída, haja uma perda equivalente de 2 m³, ou seja, um rendimento de apenas 33% na exploração.
Sendo assim, somente a exploração feita de forma criteriosa e respeitando o ciclo natural das espécies, será capaz de prolongar a vida destes ecossistemas e abastecer de madeiras o mercado, tanto nacional quanto ao externo.

Manejo florestal sustentávelA manutenção de uma florestal sustentável é a administração da floresta para a obtenção de benefícios económicos e sociais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema. Esta manutenção, em regime de rendimento sustentável para obtenção de produtos madeireiros e não madeireiros, necessita de uma exploração de baixo impacto, da aplicação de tratamentos silviculturais, e da monitorização.

Processo certificadorAtravés da criação de um mecanismo, que é a certificação da manutenção florestal sustentável, organizações privadas concedem às empresas florestais e à rede comercial de empresas madeireiras e de papel, o direito de caracterizar os seus produtos com um selo de qualidade de matéria prima: o “selo verde“.
Os requisitos exigidos das empresas que desejam obter selos de certificação – a maioria ligados à qualidade – encurtam o caminho na conquista de novos mercados, principalmente no mercado externo, cuja demanda por madeiras com estes requisitos têm vindo a valorizar significativamente o produto.
Além do preço e da abertura de mercado, outro ponto positivo é a redução do número de intermediários, trazida pela certificação da cadeia de custódia, graças à dificuldade da sua realização, beneficiando o produtor primário, e aproximando-o do comprador final.

Após o pedido de inspeção da área florestal e do sistema de manutnção, o certificador determina
em que estado está, em relação ao critérios e princípios claramente definidos.
O processo de certificação pode também incluir uma auditoria ao produto florestal desde a zona de corte até o ponto final de venda, chamada de certificação da cadeia de custódia.
Existem várias entidades reconhecidas por organizações ambientalistas como o Greenpiece e o WWF, que credenciam empresas certificadoras em todo o mundo, como, por exemplo, O FSC - Forest Stewardship Council (Conselho de Administração de Florestas), ou o PEFC - Program for the Endorsement of Forest Certification Schemes (Programa para o Endosso de Esquemas de Certificação de Floresta), cujas logomarcas estão apresentadas nas figuras seguintes.

Espécies de madeira - Sapelli

Sapelli


Nomes Científicos: Entandrophragma cylidricum Sprague

Família: Meliaceae


Origens (mais comuns): Camarões, Costa do Marfim, Congo, Zaire, R.C.A.

Nomes (mais comuns): Sapelli

Borne:O borne é bem distinto, cinzento rosado a esbranquiçado e na madeira em toro ocupa uma espessura de 4 a 8 cm.

Cerne: O cerne apresenta-se castanho avermelhado com reflexos dourados ou de vermelho escuro a castanho púrpura.

Veio/Fio: Contrafio ligeiro; O fio é espiralado

Grão: Fino a médio

Textura: Fina, anéis de crescimento bem diferenciados

Aroma: Têm um odor característico e por vezes pode exsudar goma.


CARACTERÍSTICAS TECNOLÓGICAS
Madeira semi-dura, pesada, resistente e rígida. A serragem é fácil recomendando-se que se vire o toro para diminuir a influência das tensões internas. A velocidade de secagem é normal, as peças radiais têm uma secagem muito mais lenta. Possui aptidão para a produção de folha por desenrolamento e corte plano. A colagem e o acabamento não apresentam quaisquer problemas.


PROPRIEDADES FÍSICASDensidade / Massa Volúmica (12% H): 640-650-700 Kg/m3


Coeficientes de Retracção:

Volumétrica: 13,1 %
Tangencial: 7,2-7,8 %
Radial: 5,0-5,3%


Dureza (Monnin): 3,9 – semi dura

PROPRIEDADES MECÂNICAS
Flexão Estática: 85-142 N/mm2
Flexão Dinâmica: 3,3-6,7 J/cm2
Compressão Axial: 50-62 N/mm2
Compressão Perpendicular: 11,5 N/mm2
Módulo de Elasticidade: 10300-13800 N/mm2
Força de Corte: 7,5-14,0 N/mm2

Transformação
Acabamento: Bom
Aparafusamento: Bom

Colagem: Boa

Encurvamento: Dificil

Maquinação: Dificuldades devido ao contrafio

Pregagem: Boa

Secagem: Média a rápida, riscos de deformação elevados mas de fendas mínimos


Serragem: Fácil, com efeito desafiante mínimo

Folha: Interessante em corte plano ou desenrolada



APLICAÇÕESCarpintaria exterior; Construção Naval; Contraplacados; Folheados; Pisos; Gabinetes; Revestimentos interiores; Juntas; Brinquedos; Instrumentos musicais; Escadarias; Painéis decorativos; Lambris; Marcenaria de decoração; Mobiliário de interior e exterior; Parquets de uso corrente; Placagem.

OBSERVAÇÕESEm costaneira, os raios irregulares são bem visíveis. Susceptível ao azulamento quando em contacto com metais ferrosos. Descolora com o ferro. Por vezes apresenta secreções de gomas. O principal “defeito” desta madeira é a existência de grãos.


Formas de Comercialização: Toro Bruto, Toro Serrado e Prancha
Durabilidade: Durabilidade natural média
Conservação: Má impregnação, grande resistência a fungos

Espécies de madeira - Pinho Marítimo

A madeira é natural, simples e confortável. É um material intemporal adequando-se tanto a soluções mais arrojadas e contemporâneas, como à recuperação e aplicação em casas tradicionais. Pode ser usada tanto em interiores como no exterior, na própria construção como no mobiliário e decoração. É um acabamento muito interessante, podendo ser usado em soalhos, caixilhos, portas, paredes, tectos, na bancada de cozinha, no escritório, etc.


Uma das questões que primeiramente se deve ter em conta, é se a madeira que se está a comprar não provém de zonas florestais ou terrenos indígenas em vias de extinção. Se comprar madeiras tropicais, confirme se é certificada por um organismo estatal e tem o selo de aprovação. O melhor será mesmo usar madeiras de reflorestação. A qualidade não é inferior e a Natureza agradece. A escolha da madeira deve relacionar-se com a função que esta vai cumprir (pavimento, escadas, janelas,...)

Contudo existem madeiras não exóticas muito utilizadas, embora não possuam as mesmas propriedades, como por exemplo o pinho nacional ou pinho maritimo.

O Pinho é uma madeira macia clara que se torna amarela-dourada depois de tratada com verniz. É muito económica, mas não deve ser submetida a um grande desgaste, uma vez que é muito macia e poderá riscar facilmente.

O pinheiro-bravo (Pinus pinaster) é uma espécie de pinheiro originária do Velho Mundo, mais precisamente da região da Europa e Mediterrâneo.


MorfologiaÉ uma árvore média, alcançando entre 20 a 35 metros. A copa das árvores jovens é piramidal, e nas adultas é arredondada. O tronco está coberto por uma casca espessa, rugosa, de cor castanho-avermelhada e profundamente fendida. A sub-espécie mediterrânica tende a possuir casca mais espessa, que pode ocupar mais de metade da secção do tronco. As suas folhas são folhas persistentes, em forma de agulhas agrupadas aos pares, com 10 a 25 centímetros de comprimento. Tem uma ramificação verticilada, densa, os ramos quando são jovens são muito espaçados e amplos.
Tem floração monóica, ou seja as flores masculinas e femininas estão reunidas num mesmo pé. As suas flores masculina estão dispostas em inflorescências douradas, com forma de espiga, agrupadas lateralmente nos ramos longo do terço inferior dos raminhos novos; e as flores femininas estão dispostas em inflorescências terminais. A sua floração começa em Fevereiro e acaba em Março.
As pinhas ou cones, com entre 8 a 22 cm de comprimento por 5 a 8 cm de largura, simétricas ou quase simétricas, são castanhas claras e brilhantes quando maduras. Amadurecem no final do Verão do segundo ano e libertam numerosas sementes com uma asa, vulgarmente designada por pinhão.
Localização e distribuição
É originária do Sudoeste da Europa e Norte de África. Tem uma distribuição muito espalhada pela bacia mediterrânica, localiza-se nos litorais atlânticos da Península Ibérica e de França.

Em Portugal era primitivamente uma espécie espontânea na faixa costeira sobre solos arenosos a norte do Tejo, onde encontra as condições fitoclimáticas ideais: humidade atmosférica e influência atlântica, mas actualmente, devido à acção do homem está presente por todo o País, existindo abundantes localizado nos extremos no Norte e Centro (distritos de Viseu, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Santarém), que com uma superfície de 812 000 hectares plantados, representam 62,5% da área total do pinheiro em Portugal; penetra até Trás-os-Montes e Beiras, e na faixa litoral desde o Minho até à Península de Setúbal.
Na Ilha da Madeira, o pinheiro-bravo representa 70% da área plantada.
Utilização em PortugalEssência florestal de grande interesse económico foi abundantemente plantada pois proporciona uma grande produção de madeira, protege contra o vento, e devido ao seu enraizamento radical aprumado e profundo como fixador de dunas, além de permitir a recuperação de solos pobres e erosionados. A madeira, resinosa, clara, avermelhada ou castanho-avermelhado, com abundantes nós é durável, pesada e pouco flexível, então é utilizada em mobiliário, postes, cofragem, caixotaria, aglomerados, carpintaria, construção naval, combustível e celulose. Extrai-se a resina, para ser usada na indústria de tintas, vernizes e aguarrás. A casca do tronco é rica em tanino e é usada no curtimento de peles.
Actualmente, o Pinheiro representa cerca de 40% da área florestal, ou seja 1 300 000 hectares em todo o País, quer em povoamentos puros, quer em mistos dominantes. Todavia, exige-se hoje uma gestão mais cuidada do pinhal, a fim de garantir um melhor rendimento de exploração.


Pino Marítimo
Nome Científico: Pinus pinaster Ait. Española: Pino marítimo; P. Gallego ; P. resinero



Propriedades Físicas:

Densidade aparente a 12% de humidade: 530 kg/m3 – semi leve

Estabilidade dimensional: Coeficiente de contração volumétrico: 0,45%. - Relação entre contrações: 2,82 % - pouca tendência a atejar

Dureza (Monnin): 2,45 – semi leve



Propriedades Mecânicas:

Resistência a flexão estática: 795 kg/cm2

Módulo de elasticidade: 74.000 kg/cm2

Resistência a compressão: 400 Kg/cm2

Durabilidade: Pouco durável

Mequinação e Serragem: Fácil, salvo se possuir um excesso de resina;
Secagem: Fácil e rápida. Pequeno risco de fendas e deformações;
Parafusagem: Problemas se existir excesso de resina;
Acabamento: Problemas quando existe resina. Convém aplicar um fundo que homogenize a madeira


Empregabilidade

Alburo ou Borne:
Empregabilidade e Durabilidade: Pouco ou não empregável;

Descrição Madeira Alburo: Branco amarelada
Duramen: Amarelo alaranjado
Fibra: Reta
Grão: Gruosso a médio

Aplicações: Carpintaria Interior, Móveis de Interior, Painel contra-placado, Madeira Laminada, placa Decorativa

Tipo de Madeira: Coníferas