Espécies de madeira - Pinho Marítimo

A madeira é natural, simples e confortável. É um material intemporal adequando-se tanto a soluções mais arrojadas e contemporâneas, como à recuperação e aplicação em casas tradicionais. Pode ser usada tanto em interiores como no exterior, na própria construção como no mobiliário e decoração. É um acabamento muito interessante, podendo ser usado em soalhos, caixilhos, portas, paredes, tectos, na bancada de cozinha, no escritório, etc.


Uma das questões que primeiramente se deve ter em conta, é se a madeira que se está a comprar não provém de zonas florestais ou terrenos indígenas em vias de extinção. Se comprar madeiras tropicais, confirme se é certificada por um organismo estatal e tem o selo de aprovação. O melhor será mesmo usar madeiras de reflorestação. A qualidade não é inferior e a Natureza agradece. A escolha da madeira deve relacionar-se com a função que esta vai cumprir (pavimento, escadas, janelas,...)

Contudo existem madeiras não exóticas muito utilizadas, embora não possuam as mesmas propriedades, como por exemplo o pinho nacional ou pinho maritimo.

O Pinho é uma madeira macia clara que se torna amarela-dourada depois de tratada com verniz. É muito económica, mas não deve ser submetida a um grande desgaste, uma vez que é muito macia e poderá riscar facilmente.

O pinheiro-bravo (Pinus pinaster) é uma espécie de pinheiro originária do Velho Mundo, mais precisamente da região da Europa e Mediterrâneo.


MorfologiaÉ uma árvore média, alcançando entre 20 a 35 metros. A copa das árvores jovens é piramidal, e nas adultas é arredondada. O tronco está coberto por uma casca espessa, rugosa, de cor castanho-avermelhada e profundamente fendida. A sub-espécie mediterrânica tende a possuir casca mais espessa, que pode ocupar mais de metade da secção do tronco. As suas folhas são folhas persistentes, em forma de agulhas agrupadas aos pares, com 10 a 25 centímetros de comprimento. Tem uma ramificação verticilada, densa, os ramos quando são jovens são muito espaçados e amplos.
Tem floração monóica, ou seja as flores masculinas e femininas estão reunidas num mesmo pé. As suas flores masculina estão dispostas em inflorescências douradas, com forma de espiga, agrupadas lateralmente nos ramos longo do terço inferior dos raminhos novos; e as flores femininas estão dispostas em inflorescências terminais. A sua floração começa em Fevereiro e acaba em Março.
As pinhas ou cones, com entre 8 a 22 cm de comprimento por 5 a 8 cm de largura, simétricas ou quase simétricas, são castanhas claras e brilhantes quando maduras. Amadurecem no final do Verão do segundo ano e libertam numerosas sementes com uma asa, vulgarmente designada por pinhão.
Localização e distribuição
É originária do Sudoeste da Europa e Norte de África. Tem uma distribuição muito espalhada pela bacia mediterrânica, localiza-se nos litorais atlânticos da Península Ibérica e de França.

Em Portugal era primitivamente uma espécie espontânea na faixa costeira sobre solos arenosos a norte do Tejo, onde encontra as condições fitoclimáticas ideais: humidade atmosférica e influência atlântica, mas actualmente, devido à acção do homem está presente por todo o País, existindo abundantes localizado nos extremos no Norte e Centro (distritos de Viseu, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Santarém), que com uma superfície de 812 000 hectares plantados, representam 62,5% da área total do pinheiro em Portugal; penetra até Trás-os-Montes e Beiras, e na faixa litoral desde o Minho até à Península de Setúbal.
Na Ilha da Madeira, o pinheiro-bravo representa 70% da área plantada.
Utilização em PortugalEssência florestal de grande interesse económico foi abundantemente plantada pois proporciona uma grande produção de madeira, protege contra o vento, e devido ao seu enraizamento radical aprumado e profundo como fixador de dunas, além de permitir a recuperação de solos pobres e erosionados. A madeira, resinosa, clara, avermelhada ou castanho-avermelhado, com abundantes nós é durável, pesada e pouco flexível, então é utilizada em mobiliário, postes, cofragem, caixotaria, aglomerados, carpintaria, construção naval, combustível e celulose. Extrai-se a resina, para ser usada na indústria de tintas, vernizes e aguarrás. A casca do tronco é rica em tanino e é usada no curtimento de peles.
Actualmente, o Pinheiro representa cerca de 40% da área florestal, ou seja 1 300 000 hectares em todo o País, quer em povoamentos puros, quer em mistos dominantes. Todavia, exige-se hoje uma gestão mais cuidada do pinhal, a fim de garantir um melhor rendimento de exploração.


Pino Marítimo
Nome Científico: Pinus pinaster Ait. Española: Pino marítimo; P. Gallego ; P. resinero



Propriedades Físicas:

Densidade aparente a 12% de humidade: 530 kg/m3 – semi leve

Estabilidade dimensional: Coeficiente de contração volumétrico: 0,45%. - Relação entre contrações: 2,82 % - pouca tendência a atejar

Dureza (Monnin): 2,45 – semi leve



Propriedades Mecânicas:

Resistência a flexão estática: 795 kg/cm2

Módulo de elasticidade: 74.000 kg/cm2

Resistência a compressão: 400 Kg/cm2

Durabilidade: Pouco durável

Mequinação e Serragem: Fácil, salvo se possuir um excesso de resina;
Secagem: Fácil e rápida. Pequeno risco de fendas e deformações;
Parafusagem: Problemas se existir excesso de resina;
Acabamento: Problemas quando existe resina. Convém aplicar um fundo que homogenize a madeira


Empregabilidade

Alburo ou Borne:
Empregabilidade e Durabilidade: Pouco ou não empregável;

Descrição Madeira Alburo: Branco amarelada
Duramen: Amarelo alaranjado
Fibra: Reta
Grão: Gruosso a médio

Aplicações: Carpintaria Interior, Móveis de Interior, Painel contra-placado, Madeira Laminada, placa Decorativa

Tipo de Madeira: Coníferas

Folha

Este material é obtido através da operação de faqueagem dos toros em lâminas de espessuras entre os 0,5 e 0,7 mm.
Permite obter de uma forma económica o mesmo efeito estético da utilização da madeira maciça, mas não o mesmo efeito mecânico.
As principais utilizações da folha são o revestimento de painéis de aglomerado ou MDF, bem como o fabrico de portas e de móveis.


Prancha


A madeira em prancha é a forma por excelência para a stockagem de madeira em armazém. Existem em stock permanente cerca de 70 espécies, que são renovadas diariamente.
A qualidade é objecto de um sistema de classificação, de acordo com critérios internacionais (ATIBT ou NHLA): dimensões, rachas, borne, furos de parasitas, empenos, coloração, nós, etc. Estes índices variam conforme os mercados de origem.
As empresas possuem regularmente em stock, bitolas pré-dimensionadas para fins específicos: aduelas, degraus, rodapé, régua para soalhos, balaústres, travessas de caminho de ferro, etc.


Toros


Os toros em bruto são comprados directamente nas florestas dos respectivos países de origem, onde cada toro é cuidadosamente inspeccionado.
Os principais mercados abastecedores são a Europa, a África e a América do Norte. Estão disponíveis no mercado português cerca de 50 espécies.
Os toros são serrados em bitolas standard – 27, 35, 40, 55 e 80 mm, que normalmente são deixados a secar em parque ao tempo; podem igualmente ser serrados a pedido específico do cliente.

A diversas empresas possuem estufas que permitem secar artificialmente a madeira para os valores de humidade ideais para o nosso clima (12% - 14%).

A importância da secagem

A madeira encontra-se disponível, na Natureza, em grandes quantidades, mas geralmente com um conteúdo de humidade muito elevado.
Para ser utilizada na construção, aquele conteúdo deve ser substancialmente reduzido, para a grande maioria das aplicações.
Na verdade, para algumas aplicações, o conteúdo de humidade é pouco importante, como é o caso da utilização para construções hidráulicas, para aplicações em vedações rústicas, etc.
A redução de humidade para parâmetros de segurança adequados assume enorme importância, como adiante se verá.


Para melhor entendermos esta questão, são necessários alguns conceitos básicos, a saber:


Humidade na madeira
Toda e qualquer árvore, e por isso, a sua madeira, contém uma certa quantidade de água, dependendo da sua espécie, estrutura, localização e outros factores.
Define-se “humidade da madeira” como o rácio entre o peso de água nela contido, e o peso dessa madeira absolutamente seca, isto é, sem água alguma.
Este rácio é máximo enquanto a árvore está viva, e mínimo quando deixamos que a água se evapore até ao nível mínimo, de longo prazo.
Em algumas espécies a retenção de água é absolutamente espantosa. O abeto recém abatido pode conter até 150% de humidade e o choupo pode conter até 200%. A balsa pode atingir os 600% de conteúdo de água, em verde.
Humidade inicial e humidade final
Distinguem-se dois tipos de humidade: a inicial e a final.
Chama-se humidade inicial àquela que encontramos numa madeira antes de iniciar um processo de secagem (exprime-se em %).
Chama-se humidade final à humidade resultante de um processo de secagem, e deve ser, em princípio, a humidade de equilíbrio de longo prazo, que a seguir se define.
Humidade de equilíbrio de longo prazo, ou equilíbrio higroscópico
Sabendo nós que a madeira, quando abatida, tem um determinado conteúdo de água, e sendo a madeira constituída por células porosas, a evaporação acontecerá até que seja atingido um equilíbrio entre a atmosfera envolvente e a madeira em causa.
Este processo pode levar anos, e dependerá sobretudo da espessura a que estiver cortada a madeira, e o grau de interacção desta com a atmosfera envolvente.
Toda e qualquer madeira, após cortada, tenderá a reduzir, por evaporação, o seu conteúdo de água até uma determinada percentagem, abaixo da qual não desce, nem que haja alteração no clima ambiente.
A esse teor de humidade chamamos Humidade de Equilíbrio no Longo Prazo, ou Equilíbrio Higroscópico, e nunca será 0% porque a humidade atmosférica também nunca é de 0%.
Este valor de equilíbrio varia de clima para clima, em função dos valores médios de humidade atmosférica, ao longo do ano.


Humidade livre
A madeira não é mais que uma aglutinação de vários tipos de células vegetais, que se entrecruzam de forma particular em cada espécie.
A humidade que se encontra na madeira, entre as várias células, é designada por Humidade Livre. A proporção de humidade livre que não é retida pelas células é muito elevada. A maior parte da água acima de 25-30% é humidade livre e pode ser retirada de forma relativamente fácil.
Esta perda de humidade não provoca grandes alterações dimensionais na madeira, pois não altera a estrutura.


Humidade intrínseca
É a humidade que se encontra no interior das células e nas suas paredes. É a humidade que encontramos do nível 25-30% até ao nível 0%.
Esta humidade é difícil de extrair, e é tanto mais difícil quanto menor é a percentagem de humidade residual.


Saturação das fibras
É o ponto em que a humidade livre cede lugar à humidade intrínseca.
Dependendo da espécie da madeira, situa-se em média em torno dos 26% de humidade.
Este conceito é de grande importância pois, como vimos atrás, a humidade livre refere-se à água que se encontra fora das células. A perda desta humidade não afecta a estrutura da madeira, pois é-lhe exterior.
Mas quando a humidade ultrapassa na descida a saturação das fibras, a madeira reduz-se em tamanho e, se esta redução for de forma descontrolada, podem acontecer descompensações entre as várias fibras, e originar-se empenos e rachas.
Quando nos propomos utilizar qualquer madeira para a construção ou para o fabrico de mobiliário, se queremos que o trabalho resultante apresente uma boa estabilidade dimensional, teremos que forçosamente utilizar madeira que se encontre com um teor de humidade próximo do equilíbrio de longo prazo.


O Paradigma do Carvalho Americano
Chamamos a especial atenção para a última frase: não se disse que a madeira deve estar o mais seca possível. Disse-se, isso sim, que deve estar próxima do equilíbrio de longo prazo.
Isto leva-nos ao velho paradigma do Carvalho Americano.
Esta “pobre” madeira goza de péssima reputação junto de muitos construtores e carpinteiros, que se queixam da sua propensão para aumentar muito de volume, sobretudo se usada em soalhos, mesmo em obras onde não existe humidade anormalmente alta nas betonilhas e paredes.
A razão para tão surpreendente fenómeno é, afinal, bem simples: o Carvalho Americano é importado dos Estados Unidos com a secagem adequada às casas americanas, dotadas de aquecimento central e ventilação forçada, e consequentemente com uma humidade de equilíbrio entre 6% e 8%.
No nosso país, a humidade média de equilíbrio situa-se entre os 12% e os 14%. Ora, sabendo que todas as madeiras num dado clima, tenderão para a humidade de equilíbrio no longo prazo, também o Carvalho seguirá a mesma tendência, absorvendo humidade atmosférica e estabilizando dentro dos parâmetros do nosso clima.
Pelo caminho, ao absorver humidade (e porque estes valores estão abaixo do ponto de saturação das fibras), terá forçosamente que aumentar de volume, até chegar ao equilíbrio com o meio ambiente.


Qual a solução para este problema?
Muito simples: corrigir previamente a humidade da madeira para os nossos parâmetros de longo prazo, e só depois trabalhá-la e assentá-la em obra.
Toda esta explanação de conceitos tem um fim: o de mostrar que a madeira, seja para que utilização for, deve ser trabalhada de forma a que o seu conteúdo de humidade lhe proporcione um equilíbrio higroscópico, e a correspondente estabilidade dimensional.
Para isso, a generalidade das madeiras tem que ser sujeita a um processo de secagem, que pode acontecer de duas maneiras:Processo Natural: processo lento, pois pode levar vários anos. Além disto é dispendioso, pois implica uma imobilização de capital durante todo o tempo de secagem.
Processo Artificial: simulação computorizada de climas adequados a uma secagem rápida, controlando a secagem minuto a minuto, assegurando um excelente resultado em termos de qualidade da madeira, e encurtando para 2 a 4 semanas o processo de secagem natural atrás descrito.